A tecnologia na saúde pública

Por Francielle Regeane Vieira da Silva*

A garantia dos serviços prestados pela saúde pública está entre os maiores desafios enfrentados pelos municípios brasileiros. Muito se investe, mas pouca coisa é perceptível ao cidadão. De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 40% de todos os gastos com saúde são desperdiçados por ineficiência. O Brasil gasta 9,3% do PIB na área – ou seja, cerca de R$ 410 bilhões investidos. Se considerarmos a estimativa, R$ 164 bilhões ao ano podem estar sendo desperdiçados por pura falta de controle e gestão.

É aí que a tecnologia se mostra fundamental para a melhoria da saúde pública. Além de facilitar a administração das atividades, os novos sistemas otimizam o tempo, tanto de gestores e profissionais quanto do cidadão, e permitem maior controle de gastos.

Mas isso ainda está longe de ser realidade em muitos municípios do País. O Ministério da Saúde divulgou em outubro de 2016 que 76% das Unidades Básicas de Saúde (UBS) ainda realizam o controle do histórico do paciente em papel. Das 41.688 unidades em funcionamento, em 5.506 municípios brasileiros, apenas 10.134 possuem prontuários eletrônicos.

Quer um exemplo prático da importância do prontuário eletrônico? Num momento em que a febre amarela volta a assustar é possível, por meio dos registros coletados nos prontuários, fazer a correlação das regiões onde os casos aparecem com as condições de moradia e informações sociais dos pacientes, como frequência da coleta de lixo, tratamento do esgoto, hábitos de vida, escolaridade, faixa de renda. E assim a área epidemiológica pode atuar rapidamente e com mais eficiência.

Outro gargalo da saúde pública que pode ser tratado de maneira mais inteligente com a tecnologia é a espera por consultas e internações. O Instituto das Cidades Inteligentes (ICI) já oferece uma solução integrada que organiza e controla eletronicamente as filas de atendimento e a ocupação dos leitos. O gestor consegue acompanhar em tempo real, por meio de dashboards, as filas nas unidades de saúde e na emergência, sendo possível analisar o tempo de espera dessas solicitações e realizar a tomada de ação imediata para aperfeiçoar o processo de atendimento.

É a tecnologia possibilitando à alta administração uma visão real do dia a dia da saúde pública no município. Investimentos mais efetivos, diminuição do desperdício e informações disponíveis a qualquer tempo, que trazem impactos diretos para um melhor atendimento à população.

*Francielle Regeane Vieira da Silva é coordenadora de projetos do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

Os Cidadãos e as Cidades Inteligentes

Por Luís Mário Luchetta*

Os grandes centros urbanos não param de crescer e em 2020 teremos mais de 50 bilhões de dispositivos conectados e mais de 5 bilhões de pessoas online. Além da inteligência artificial, robótica e drones, que também são realidade, cada vez mais a população mundial estará conectada. Só no Brasil já temos mais 110 milhões de brasileiros com acesso à Internet.

A cultura da inovação está viabilizando um ambiente colaborativo, de aprendizado contínuo e disponibilização de novos serviços. Um novo ecossistema é formado nas cidades, em suas economias, serviços e na vida das pessoas.

A mudança nunca aconteceu com tanta velocidade. Algumas tecnologias utilizadas hoje terão desaparecido daqui a 5 anos. Projetos de geração de energia solar, por exemplo, eram economicamente inviáveis há alguns anos, mas hoje estão implantados em muitas residências.

As cidades crescem e necessitam de novas soluções e tecnologias, que gerem inovação e tragam novas oportunidades para seus habitantes. Com essa realidade estabelecida, surge a geração de trabalhadores e consumidores conectados, em busca de serviços de qualidade com o menor custo e maior disponibilidade.

Como exemplo, podemos citar a batalha com os serviços de transporte no mundo. Em pouco tempo, uma nova empresa se tornou a maior operadora global de mobilidade urbana sem ter um carro em sua frota. Velhos modelos estão tendo que se adaptar, se reinventar a este novo mundo. As mudanças não param por aí e em breve estaremos com nossas ruas cheias de veículos elétricos e autônomos.

Talvez as grandes perguntas sejam “o que a gente faz que a máquina não pode fazer?” e “como podemos gerar um ambiente de inovação e extrair o máximo das tecnologias?”.  Com a internet das coisas, Big Data, mobilidade e redes sociais, pode-se transformar os modelos de negócios e as experiências dos usuários. Soluções para educação, saúde, transporte e manutenção urbana são alguns exemplos de transformação das cidades que com uso da tecnologia possibilitam a redução de tempo, aumento de segurança e da qualidade dos serviços para as pessoas.

Estamos à frente de um grande desafio e oportunidades para cidades e pessoas. Nossa única certeza é a da mudança, talvez ideias simples que combinem dois ou mais elementos tecnológicos possam gerar grandes revoluções e solucionar problemas. A cidade inteligente terá que ajudar a promover o processo de transformação para que as empresas continuem crescendo e gerando lucros e as pessoas tenham um sentimento de satisfação e de desenvolvimento contínuo. É nas cidades onde vivemos que buscamos a realização de nossos sonhos.

A transformação digital está acontecendo em todas as áreas da sociedade e questões como padrões, segurança, legislação e o desenvolvimento de algoritmos capazes de analisar dados e executarem uma determinada ação são desafios deste momento.

Na era cognitiva, as pessoas farão as perguntas e os computadores darão as respostas. Tudo vai ser um dispositivo: seu carro, sua roupa, o espelho, entre outros. Teremos mais de 20 bilhões de aparelhos conectados e interagindo. As informações estarão em qualquer lugar, o tempo todo. Mudaremos mais nos próximos 20 anos do que mudamos nos últimos 200 anos.

Luís Mário Luchetta é bacharel em Ciências Contábeis, Especialista em Planejamento e Marketing Empresarial. É membro do programa de educação continuada do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa-IBGC, do qual é conselheiro de administração e fiscal certificado. Empreendedor nacional e representante comercial, atua no trabalho coletivo do Setor de TIC, no qual desempenha a função de  vice-presidente da Federação Assespro e presidente do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

Tecnologias de Informação e Comunicação são desafios para novos prefeitos

Por Luís Mário Luchetta*

A posse dos prefeitos eleitos, em janeiro de 2017, traz muitos desafios para os novos governos. Um dos mais importantes é diagnosticar a situação atual da administração e identificar quais são os serviços demandados pela população, que ainda não são atendidos ou que precisam de melhorias. Para ter resultados eficientes nesse trabalho é preciso traçar um plano de implementação de soluções integradas de Tecnologias de Informação e Comunicação, que vão gerar manutenção e atualização permanente das informações.

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As chamadas TIC, conjunto de recursos tecnológicos que soluciona questões de comunicação em diferentes áreas e setores dos negócios, são grandes aliadas na gestão pública. Elas automatizam, padronizam e agilizam os processos, permitindo a transparência e simplificando o acesso do cidadão aos dados e serviços públicos. Novas soluções, como mobilidade urbana e iluminação inteligente, por exemplo, são gerenciados pelas TIC e favorecem diretamente os moradores das cidades.

Um cuidado importante a ser tomado pelos novos prefeitos é não subestimar a importância estratégica das TIC e nem deixar o tema ser tratado perifericamente na gestão. Será por meio dessas tecnologias que o governante conseguirá transformar o município em uma cidade inteligente, colocando as pessoas no centro do desenvolvimento e deixando o governo mais eficiente.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) publicou uma lista de cidades de várias partes do mundo com soluções inteligentes. São diversas iniciativas em cada uma delas, que vão desde sensores (IoT) em Barcelona, até dados abertos em São Francisco, com os quais busca-se resolver os mais variados problemas dos centros urbanos, de maneira ágil e efetiva.

As soluções tecnológicas de cidades inteligentes de outras partes do mundo podem ser aplicadas no Brasil. Tel Aviv, em Israel, que desenvolveu uma plataforma para integração com o cidadão por meio de um aplicativo, e San Diego, nos Estados Unidos, que possui um sistema de iluminação pública inteligente, são cidades com soluções perfeitamente aplicáveis à realidade brasileira.

TIC auxilia no processo decisório do governo, com informações organizadas de todas as áreas da gestão pública, em tempo real, e com previsões e alertas do que pode ser feito para evitar possíveis problemas. Na área da Saúde, por exemplo, um prontuário eletrônico de abrangência nacional pode integrar os dados dos diferentes provedores de serviços e os transformar em um único documento, que pode ser acessado dentro dos níveis de segurança pelo paciente, por médicos, hospitais e clínicas. Uma vez estruturado, esse sistema será a base para levar serviços on-line ao cidadão, entre eles agendamento de consultas e informações como a disponibilidade de medicamentos nas unidades, usuários em espera, especialidades disponíveis, resultados de exames, entre outros.

Na Educação, a transformação já é uma realidade com o ensino à distância e pode-se avançar principalmente na gestão pública. A estruturação de sistemas de gestão educacional, de conteúdos pedagógicos on-line e interação com a comunidade escolar são fatores determinantes para a melhoria do ensino. A tecnologia pode contribuir com o acesso e a igualdade na educação, na qualidade do ensino e aprendizagem, no processo de matrícula on-line, na chamada eletrônica, no desenvolvimento profissional dos professores, bem como melhorar a gestão, a governança e a administração educacional.

A transformação digital está acontecendo em todas as áreas da sociedade e questões como padrões, segurança, legislação e o desenvolvimento de algoritmos capazes de analisar dados e executarem uma determinada ação são os desafios deste momento. Na era cognitiva, as pessoas farão as perguntas e os computadores darão as respostas. As informações estarão em qualquer lugar, o tempo todo, ajudando os gestores a melhorar os municípios brasileiros. Mudaremos mais nos próximos 20 anos do que mudamos nos últimos 200. E esse é um grande desafio para todos nós.

*Luís Mário Luchetta é bacharel em Ciências Contábeis, especialista em Planejamento e Marketing Empresarial. É membro do programa de educação continuada do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), do qual é conselheiro de administração e fiscal certificado. Empreendedor nacional e representante comercial, atua no trabalho coletivo do setor de TIC, no qual desempenha a função de vice-presidente da Federação Assespro e presidente do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

Como a Gestão de Atendimento ao Cidadão contribui na construção de modelos participativos para a efetiva resolução das demandas nas cidades

Por Ozires Pereira de Oliveira*

A construção de modelos de trabalho participativos está intrinsecamente ligada aos desafios e complexidades da moderna administração pública. O crescimento populacional e o êxodo para os meios urbanos observados nas últimas décadas acentuaram os problemas apresentados pela municipalidade, ampliando pontos de atenção no trato com a coisa pública.

A referência em disponibilidade e acesso aos canais de comunicação via web para a população gera um quadro de declínio dos contatos tidos como tradicionais, apontando para uma mudança gradativa e importante na maneira de estabelecer determinadas conexões com a gestão pública. Uma espécie de anseio da população em ter à sua disposição um sistema que envolva todos os órgãos da administração. Em contrapartida, observa-se, por parte dos gestores, uma dificuldade em estabelecer, manter e gerenciar pontos de atendimento que viabilizem a interação das pessoas de modo intuitivo e efetivo e que suportem as mudanças, em que a aplicação de recursos tem sido o principal gargalo no nível de gestão. Nesse sentido, o ciclo de interação com o munícipe passa obrigatoriamente pela estruturação de processos e pelo eixo tecnológico para dar sustentação ao volume de solicitações de serviços e pedidos de informações apresentados.

No cenário atual, a utilização de redes sociais, dispositivos móveis e aplicativos permite ao cidadão apresentar suas sugestões em tempo real, realizar acompanhamento, avaliar as respostas, compartilhar suas solicitações e contribuir para a melhoria das condições de vida de sua comunidade. Não obstante, ao oferecer meios estruturados que facilitem a formalização de situações que careçam de encaminhamentos dos órgãos públicos, o Estado amplia o poder de alcance de sua estrutura, centraliza as demandas em uma plataforma multicanal que oferece uma experiência única aos usuários, especializa-se em sua atividade-fim, organiza seus fluxos de trabalho e, principalmente, estabelece mecanismos adequados para o gerenciamento de seu diálogo com a sociedade.

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Assim, a utilização da tecnologia da informação e comunicação permite que se realizem análises históricas e preditivas, bem como a construção de cenários georreferenciados, objetivando a correção de distorções, subsídio ao planejamento e maior velocidade no atendimento, que, invariavelmente, contribuem para o aumento da qualidade de vida, da sensação de pertencimento e do bem-estar da população.

As principais demandas dos cidadãos estão relacionadas a características que envolvem principalmente questões de mobilidade e manutenção urbana, levando à percepção da necessidade de um novo posicionamento no que se refere à estruturação de métodos de atendimento que proporcionem tratativas adequadas para as solicitações espontâneas dos mesmos. Dessa forma, em consonância com a visão de Inteligência Coletiva, Democracia Participativa e conceitos de transparência, uma solução de atendimento que permita, fomente e crie instâncias de participação neste aspecto constitui-se em estratégia fundamental para a Gestão Pública.

A Solução de Atendimento e Informações ao Cidadão pressupõe a utilização de recursos tecnológicos que ampliam as possibilidades de interação e que são capazes de integrar os diversos meios de entrada das demandas da população, propiciando visão integrada e completa aos gestores. É característica fundamental o encaminhamento em tempo real das solicitações aos órgãos responsáveis, mecanismos de planejamento, controle, resposta por parte de poder público ao cidadão e por fim a avaliação da satisfação do munícipe. Esse ciclo virtuoso estabelece, de maneira simples e eficaz, o gerenciamento do processo, contemplando todos os stakeholders envolvidos na resolução das demandas nas cidades.

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 Modelo de fluxo de atendimento (Fonte: o Autor)

O protagonismo presente nessa solução, a visão unificada e ampla dos apontamentos da população, a capacidade de geração de dados, informações e indicadores e o processo de acompanhamento constante redundam no aprimoramento dos serviços públicos, propiciando altos níveis de credibilidade e satisfação da sociedade. Certamente, o desenvolvimento da administração pública e o estabelecimento das Cidades Inteligentes com enfoque na cidade criativa e sustentável, que faz uso da tecnologia, em seu processo de planejamento, com a participação dos cidadãos, dependem, dentre outros, da otimização e da inovação na gestão de atendimento ao cidadão. Pode-se concluir que uma solução de atendimento ao cidadão é capaz de transcender os conceitos de call center e ser percebida pelo cidadão usuário e pela administração como um elo fundamental para o pleno funcionamento da esfera pública.

*Ozires Pereira de Oliveira é cientista político, especialista em Gestão de Projetos. Com experiência de 16 anos na área, atua como coordenador de Atendimento ao Cidadão do Instituto das Cidades Inteligentes desde 2011.

O uso da tecnologia em sistemas urbanos inteligentes

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Autora: Adriana Andréa Rodrigues*

Fonte: Gazeta do Povo

A larga expansão da plataforma mobile tem auxiliado no desenvolvimento de ambientes interoperáveis, em que cidadãos se inserem na sociedade da informação por intermédio das tecnologias da informação e comunicação, estabelecendo novos processos comunicativos e usufruindo de serviços públicos digitais.

Trata-se de uma crescente integração entre objetos interconectados por meio da internet, que mediam ações e informações entre outros objetos e cidadãos, sendo independentes de intervenção humana e configurados para oferecer facilidades para o cotidiano da sociedade, permitindo a existência de uma rede amplamente conectada e gerando uma significativa massa de dados (Big Data) proveniente de diferentes dispositivos eletrônicos.

Este cenário, de materialização de ambientes permeados de informação cujos variados objetos podem conectar-se sem fio à internet e entre si, é compreendido como Internet das Coisas. O termo “Internet das Coisas” (IdC ou IoT, acrônimo de Internet of Things) é usado como sinônimo de ambientes conectados, computação ubíqua, comunicação máquina a máquina (Machine to Machine Communication, M2M), web das coisas, internet do futuro e objetos inteligentes (Smart Things). A partir desses termos, pode-se inferir como a IdC, em uma era digital de franca expansão, com a massiva utilização de smartphones, tablets e notebooks, passa a ocupar e incorporar os hábitos dos cidadãos.

Não obstante, a IdC é entendida como um fenômeno, ubíquo e em constante evolução, cujas inovações potencializam soluções capazes de promover o desenvolvimento socioeconômico e a melhoria da qualidade de vida, baseadas em aplicações interativas que, além de conter informações estáticas, contêm informações em tempo real referentes aos objetos do meio físico urbano.

Dentre as tecnologias presentes nestes ambientes conectados, destacam-se a Radio Frequency Identification (RFID), a Near Field Communication (NFC), o QR Code, as redes wireless e os sensores sem fio. Essas tecnologias são normalmente integradas em aparelhos eletrônicos, unindo o mundo real ao digital e servindo como importantes instrumentos para solucionar ou minimizar problemas urbanos, assim como auxiliar na realização de tarefas cotidianas.

A IdC descreve um cenário de funções incorporadas em muitos objetos dos espaços urbanos; microchips implantados em seres vivos, capazes de trocar informações entre si, com as pessoas ou com o ambiente; objetos com sensores embutidos para coletar diferentes tipos de dados e ajudar a entender o comportamento das cidades, a exemplo das cidades inteligentes (Smart Cities), sendo estrategicamente planejadas sob os pilares da conectividade e automação.

Iniciativas para a construção e o desenvolvimento de cidades inteligentes preconizam a adoção de tecnologias na infraestrutura urbana, em que sejam capazes de coletar e transmitir informações em tempo real acerca da dinâmica das cidades, quer seja de seres humanos, animais, objetos ou na investigação de eventos climáticos. Essas informações em tempo real sobre as questões urbanas, a partir da aplicação de métodos próprios de análise, analíticos ou preditivos, podem servir como um robusto instrumento de apoio à tomada de decisão para os setores responsáveis na administração das cidades.

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São as cidades inteligentes e as regiões monitoradas por sensores que captam informações dos postes de luz, possibilitando a redução nos custos de energia; geram informações sobre o trânsito representadas em mapas sinóticos, por meio do emprego de geotecnologia; medem a qualidade do ar e o nível de ruído. Os cidadãos serão usuários de diversas aplicações e terão cada vez mais acesso em tempo real aos serviços urbanos, do consumo de água à escolha do posto de saúde.

O planejamento urbano é uma atividade contínua para a tomada de decisão, constituindo a preparação para a gestão futura, uma vez que promove a antecipação de fenômenos futuros, buscando minimizar os problemas urbanos. Isto posto, os governos podem ser grandes usuários das aplicações da IdC, cujas tecnologias podem reduzir custos e melhorar a qualidade da prestação de serviços públicos, identificando áreas de oportunidades para que as cidades possam estabelecer e empregar estratégias que combinam a gestão da água, redes inteligentes, gestão de resíduos e estacionamento inteligente, entre outros; planejar uma cultura de IdC para favorecer o ativismo no sistema político, conciliando lei e realidade, conjugando informação e desenvolvimento; compartilhar experiências, plataformas e melhores práticas de IdC, no sentido de minimizar a fragmentação das soluções tecnológicas, bem como tornar os cidadãos mais inclusivos na construção das cidades inteligentes.

Um exemplo interessante da adoção da IdC na gestão pública é o sistema urbano de mobilidade sustentável em uso no Centro de Operações de Mobilidade, sediado no Instituto Curitiba de Informática (ICI) e integrante do projeto-piloto do Programa Ecoelétrico da Prefeitura Municipal de Curitiba, que permite o monitoramento on-line da frota de carros elétricos, bem como a manutenção dos eletropostos instalados pela cidade. O monitoramento dos indicadores como energia elétrica consumida, número de viagens e distâncias percorridas é viabilizado pela utilização da tecnologia RFID, integrante dos dispositivos do sistema instalados tanto nos veículos quanto nos eletropostos, além da adoção de outras tecnologias inteligentes associando telemetria, Big Data e Business Intelligence.

Até julho deste ano, o projeto já havia alcançado uma poupança total equivalente a 7.556,38 kg de CO2, registrando-se a maior poupança em julho de 2014 (947 kg) e a menor, em setembro do mesmo ano (266,25 kg). Desde o seu lançamento, os veículos que integram a frota do Programa Ecoelétrico já percorreram um total de 60.451 km. Em termos de energia, o total consumido até a data corresponde a 10.732,31 kWh, sendo que no mês de julho de 2015 a frota consumiu um total de 539,13 kWh.

Atualmente, estão sendo realizados testes-piloto para algumas tecnologias de comunicação sem fio (Bluetooth, GSM/GPRS, RFID) em um gateway para redes de sensores sem fio, em que se pretende o reconhecimento de características dos veículos que estacionam nas vagas sensorizadas, além da comunicação com os veículos elétricos. A nova funcionalidade poderá auxiliar na gestão do trânsito das cidades, bem como ser integrada ao sistema urbano de mobilidade.

De fato, os gestores do setor público têm uma excelente oportunidade de agir, a partir da utilização da IdC na implementação e alcance dos objetivos das políticas públicas, incluindo o aumento do crescimento econômico e melhorias na sustentabilidade ambiental, segurança pública, prestação de serviços do governo e produtividade. Não obstante, em termos de política pública, líderes de governo terão de estabelecer diálogos e entendimentos claros sobre os riscos de privacidade que acompanham a IdC. Tão importantes quanto a informação e a inteligência tecnológica são a estratégia, o planejamento e as políticas públicas que irão orientar e regular as aplicações da IdC no desenvolvimento das cidades.

Neste sentido, torna-se necessário que os governos, nas esferas federal, estadual e municipal, avaliem onde e como podem usar a IdC em suas funções administrativas, bem como o papel que a IdC poderia desempenhar na realização mais ampla dos objetivos socioeconômicos, serviços públicos e a vida cotidiana em geral, em um provimento de interação entre sociedade civil e sociedade política.

*Adriana Andréa Rodrigues, mestre em Gestão Urbana e pós-graduada em Tecnologia da Informação com ênfase em Administração Pública e em Gestão de Projetos, é pesquisadora-responsável no Instituto Curitiba de Informática (ICI) em linhas de pesquisa para a Mobilidade Urbana Sustentável e Gestão da Informação no Processo Decisório, associadas ao Centro de Operações de Mobilidade do Programa Ecoelétrico.

3 motivos para a gestão pública investir em tecnologia da informação

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A tecnologia da informação (TI) tem se mostrado capaz de eliminar muitos dos gargalos enfrentados em todos os setores que se dedicam à prestação de serviços ao cidadão. Por isso, o Techcity destaca três benefícios reais que entidades da área pública podem obter com a aplicação avançada de TI.

1. Acompanhar a satisfação do cidadão

A troca de informações entre cidadão e governo contribui para uma gestão mais democrática. Uma das formas mais eficazes de fazer isso é contar com tecnologias que permitam a busca e o recebimento de feedbacks dos cidadãos sobre a administração pública. A coleta, registro e análise desses dados servem para medir a eficácia de ações pontuais como a inauguração de uma unidade de saúde em um município ou mesmo o índice da aprovação dos serviços públicos de forma geral.

É preciso, no entanto, que as ferramentas ou soluções escolhidas tenham condições de tratar dados de diferentes áreas de interesse da população para transformá-los em diagnósticos de demanda para orientar a gestão pública.

De acordo com o Gartner, a relação com o cidadão em múltiplos canais é uma das dez tendências tecnológicas mais importantes para o governo em 2015. A estratégia tem sido adotada para fornecer aos cidadãos uma visão única sobre a organização governamental.

2. Melhorar os gastos públicos

Em uma pesquisa divulgada em 2014, a consultoria Oxford Economics, ligada à Universidade de Oxford, na Inglaterra, analisou dez países para entender o impacto que o aumento da eficiência da gestão governamental teria sobre as contas públicas. Os resultados merecem destaque: se cada um dos países fosse capaz de ampliar a eficiência em 1% ao ano, entre 2012 e 2025 seria possível economizar cerca de 2 trilhões de dólares. No Brasil, a ação resultaria na economia de 122 bilhões de dólares.

Segundo a consultoria, uma das opções mais viáveis para conquistar esse resultado é tornar a gestão das informações mais inteligente, pois isso apoiaria um dos processos mais complexos da gestão governamental, a tomada de decisões. A busca por processos que resultem em informações gerenciais de qualidade, portanto, teria como consequência direta uma maior assertividade tanto no diagnóstico quanto na resolutividade das principais demandas da administração pública.

 3. Evoluir o planejamento

Monitoramento de indicadores e simulação de cenários são dois recursos que podem fazer a diferença no planejamento das ações focadas no cidadão. Isso porque elas permitem explorar variadas resoluções e consolidar o entendimento sobre tendências internas e externas do negócio público. Em geral, isso pode ser feito com uma solução de Business Intelligence (BI).

A tecnologia de BI permite extrair e visualizar dados gerenciais de forma dinâmica e facilitada. As informações são transformadas em gráficos interativos para que o usuário tenha condições de compreender panoramas complexos. Munidos com referências reais, os gestores públicos identificam quais setores necessitam de apoio imediato e quais não demandam um esforço tão significativo, dessa forma é possível fazer a melhor distribuição de investimentos públicos.

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