Hackathon: uma oportunidade única

Por Marcos Estevão Hadiak e Marco Antônio Bittencourt Grutzmann*

A vida nos propicia oportunidades todos os dias, e é da nossa escolha aproveitá-las ou não. Foi assim conosco, na participação do 1º Hackathon BRF (#watsongotfood), nos dias 20 e 21 de a-gosto de 2016, promovido pela Universidade Positivo e BRF, com apoio técnico da IBM e cobertura do evento pela Olhar Digital.

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 Equipe vencedora do hackaton

Durante 35 horas seguidas, equipes reuniram-se nas dependências da Universidade Positivo para desenvolver ideias e produtos, tendo como tema “O Futuro da produção, logística e venda na Indústria de Alimentos”, para mostrar o que seriam capazes de realizar nesse curto prazo de tempo. Deste caldeirão borbulhante de ideias e desafios, três equipes foram selecionadas por uma equipe julgadora que avaliou três itens: ineditismo, impacto no negócio e completude.

O resultado não poderia ter sido melhor para nós: primeiro lugar entre as 11 equipes que chegaram até o final. Nosso trabalho, “Controle Cognitivo de Frotas”, teve grande repercussão entre todos desde o início. Mentores, colaboradores e participantes do evento mostraram-se surpresos e entusiasmados com a ideia: um aplicativo que pode ser instalado em um dispositivo móvel, o qual acompanha o motorista durante o trajeto, realizando perguntas e com base em suas respostas é capaz de analisar seu sentimento, possibilitando determinar certas ações durante o trajeto, ou ao final dele, de forma a tornar o dia a dia daqueles que são responsáveis não apenas pelo transporte das cargas, mas também pelas vidas das pessoas que diariamente circulam pelas ruas e rodovias brasileiras, mais segura e agradável. Estes profissionais estão sujeitos às mais diversas situações, muitas de alto risco, as quais continuamente interferem em seu desempenho. Muitas vezes a solidão, a saudade de suas famílias, a rotina, o cansaço ou o estresse, entre tantos outros, são fatores perturbadores.

A ideia é fazer do aplicativo um copiloto virtual, com o qual o motorista sinta-se à vontade e converse. Estas conversas são analisadas pelo Watson, uma solução da IBM que, por meio de softwares e computadores com alta capacidade de processamento, realiza a computação cognitiva, a nova fronteira na ciência da computação. É a aproximação da máquina com o ser humano, por meio de interações em seu cotidiano como sugestões, auxílio em planejamentos e tomada de decisões, tudo de uma forma natural, baseada em aprendizados realizados. Segundo sua própria definição: “Sou uma plataforma de computação cognitiva desenvolvida pela IBM que entende a linguagem natural das pessoas, a partir de minhas habilidades cognitivas. Meus sistemas se aproximam da forma humana de pensar, interagir e aprender, extraindo conhecimento de dados não estruturados, de diversas fontes, em formato de texto, imagem e vídeos.”

Este é um novo marco no controle de frotas, pois até então sempre houve um acompanhamento sobre os veículos, nunca antes sobre o condutor e suas condições de trabalho.

Como mencionamos no início, esse trabalho foi fruto de uma oportunidade dada a nós por uma iniciativa da Universidade Positivo e a BRF com apoio da IBM e do Olhar Digital: parcerias que têm tudo para dar certo, pois uma empresa disposta a apostar em novas ideias, uma entidade de ensino incentivando e revelando seus alunos, contando com o apoio de uma empresa prestadora de soluções e de outra que divulga essas iniciativas constituem a receita ideal para produtos fantásticos.

*Marcos Estevão Hadiak é tecnólogo em processamento de dados (ESSEI), com especialização em Big Data (UP) e MBA em BI (UP). Atua há mais de 27 anos na área de TIC, dos quais 18 anos na área de gestão pública. Foi gerente de Novas Tecnologias no ICI e possui grande interesse em pesquisa e inovação. Hoje, atua como analista do sistema de Gestão Tributária Municipal.

Marco Antônio Bittencourt Grutzmann é graduando em Sistemas de Informação na Universidade Positivo (UP) e é entusiasta do tema inovação e tecnologia. Trabalha no ICI desde 2011, onde é gestor da Qualidade na Coordenação de Atendimento ao Cidadão, e ainda integra o núcleo de planejamento e projetos da área.

Hadiak e Grutzmann integraram a equipe vitoriosa no hackaton junto com Claudio Wolszczak, Edison Candido Rocha, Matheus Felipe Falconde da Silva e Vitor Machado Josviak.

Inovação em Cidadania Eletrônica

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Por Frederico Augusto de Camargo*

A cidadania eletrônica, ou cidadania digital, é a participação do cidadão utilizando as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) em ações de cidadania que beneficiam a sociedade e a influência popular nas ações dos governantes. O uso de novas tecnologias possibilita o surgimento de movimentos de cidadania eletrônica a partir da iniciativa de cidadãos organizados em grupos ou em instituições.

O uso das TIC possibilita que o cidadão exerça a sua cidadania, aproximando-se do poder público e aumentando o controle social, algo que, até o advento da Internet era exercido somente em manifestações populares e em período eleitoral. Com o surgimento de iniciativas de cidadãos organizados, amparados por redes sociais, fóruns on-line e eventos de hacktivismo, é possível que o cidadão exerça sua cidadania não de 4 em 4 anos, nas eleições, mas durante o exercício do mandato do governante. As tecnologias inovadoras aproximam o cidadão ao gestor público, e diminuem a distância entre as demandas da população e as políticas públicas.

O panorama após as novas TIC

Um exemplo deste novo cenário é o portal Para Onde Foi o Meu Dinheiro?, que ajuda o cidadão a monitorar a execução dos orçamentos federal, estadual e municipal. A ferramenta busca engajar o cidadão por meio da análise e visualização dos orçamentos no Brasil.

Na área de Justiça Social, o portal Retrato da Violência, desenvolvido por iniciativas individuais durante o Fórum Internacional de Software Livre em 2012, exibe gráficos sobre a violência contra a mulher no Estado do Rio Grande do Sul.

Ambos os portais citados foram desenvolvidos com dados abertos disponibilizados pelo próprio poder público em seus portais da Transparência. Mas não somente de dados disponibilizados pelo governo desenvolvem-se ferramentas de cidadania digital.

O aplicativo móvel Hemogram, desenvolvido pelo ICI – Instituto das Cidades Inteligentes com apoio do Hemepar, é uma rede social de solicitação de pedidos de doação de sangue, em que o cidadão pode disseminar pedidos de doação e acompanhar e ser alertado sobre pedidos de doação para o seu tipo sanguíneo.

A construção de uma sociedade digital

A Estônia leva o conceito de cidadania digital muito além: o país do leste europeu firma-se como a sociedade digital mais forte do mundo. As políticas públicas são em sua totalidade demandadas pela população por meio da plataforma eletrônica e-Estonia, e a administração pública atua como facilitadora entre o cidadão e a execução da solução.

Um dos pilares desta plataforma é a natureza modular de sistemas e componentes flexíveis, o que significa que é fácil adicionar novos serviços eletrônicos no futuro, o que permite que os sistemas do governo cresçam, de acordo com a intervenção popular.

O desenvolvimento de iniciativas de cidadania eletrônica, com dados abertos e APIs de programação públicas, possibilita a verdadeira cidadania: o exercício de uma comunidade socialmente e politicamente organizada.

*Frederico Augusto de Camargo é especialista em Tecnologias Web (PUCPR) e graduado em Tecnologia em Informática na UFPR. Atua como analista de desenvolvimento de sistemas no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI) desde 2009.

MBaaS – Mobile Backend as a Service

Por Fabio Leandro Lapuinka*

A maioria das pessoas possui hoje em dia um celular conectado à internet, com o qual deve pelo menos acessar o Gmail, Whatsapp ou Facebook. Utilizam o aparelho para tirar fotos e ver vídeos diariamente e, é claro, ocasionalmente jogar seus games prediletos.

Quando você baixa um aplicativo da Loja do Google (Google Play) ou da Apple (App Store), você está apenas instalando uma cópia do aplicativo, que precisará se conectar à internet para acessar os servidores da empresa dona do aplicativo. Isto ocorre por várias razões: o aplicativo irá solicitar um usuário/senha, transferência de informações (vídeos/sons).

Quando uma empresa inicia o projeto de um novo aplicativo, é preciso se preocupar com detalhes da infraestrutura que este aplicativo irá utilizar. Geralmente, esta deverá fornecer serviços de notificações e mensagens, armazenamento de dados em nuvem, integração com redes sociais.

Na área de mobile, chamamos esta infraestrutura básica de MBasS – Mobile Backend as a Service.

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Figura 1 – Visão MBaaS

Para atender a crescente demanda da área mobile, o ICI preparou seu Data Center para a arquitetura MBaaS. Esta arquitetura permite que aplicativos mobile sejam suportados por infraestrutura robusta, que possui serviços de mensagens e storage.

O preparo desta infraestrutura possibilitou que aplicativos como Cartão Qualidade e Hemogram fossem escritos com mais agilidade, permitindo que os desenvolvedores apenas acessassem rotinas previamente preparadas para estes fins, sem se preocupar com detalhes da sua construção.

*Fabio Leandro Lapuinka é analista de sistemas, integra a equipe da Coordenação de Portais e Tecnologias do ICI.