Tecnologia e setor público: como anda essa dupla?

Quando pensamos em tecnologia, surgem em nossa mente cenários homéricos, com grandes avanços e descobertas que mudaram a maneira de se relacionar com o mundo. A cada dia, novidades permeiam os canais de notícias com informações sobre inteligência artificial, big data e machine learning, provando que a evolução é contínua – e, quem sabe, infinita. Empresas correm para se adequar a essas alterações, que ditam como iremos nos relacionar com o mundo e com as demais pessoas – embora essa seja uma definição já presente em nossa rotina, podendo ser observada desde uma máquina automática de café até nos servidores de processamento de dados. Entretanto, o setor público ainda sofre para conseguir se nivelar a essas necessidades.

A morosidade do processo licitatório para a aquisição de bens e contratação de serviços impacta diretamente no que a administração pública pode oferecer e no que os cidadãos têm acesso. Diversas vezes, quando o processo é finalizado, o alicerce tecnológico já se encontra defasado, causando prejuízo aos cofres públicos e seus contribuintes. Além disso, principalmente quando se pensa no desenvolvimento de softwares, a qualidade pode impactar no resultado: apesar de não haver uma medição para auferir o quão bom um código é, a maneira como ele é construído influencia diretamente em atualizações futuras, integração com outros sistemas e velocidade de desempenho da aplicação.

Lógico que há diversos exemplos de sucesso do uso da tecnologia pela gestão pública, com a oferta de soluções que facilitam a vida do cidadão e que conseguem seguir a mesma velocidade da demandada pelo mercado. As aplicações mobile têm se destacado nesse cenário, abrindo possibilidades de disponibilização dos mais variados serviços em qualquer lugar, a qualquer hora. Alguns exemplos de sucesso são o app Menor Preço, que permite a comparação de preços de produtos com base nas notas fiscais emitidas em determinada região do Paraná. No Estado também se destaca o Saúde Já, que faz o agendamento remoto da primeira consulta nas unidades de saúde em Curitiba.

Outro exemplo que tem dado certo é a parceria com organizações sociais, que possibilita mais celeridade para atender às demandas da população. Realizada por meio de contrato de gestão, o serviço é agilizado e leva em consideração as boas práticas de mercado. Se isso funciona? Basta pegar o exemplo de Curitiba, considerada a cidade mais inteligente do Brasil pelo ranking da Connected Smart Cities: desde 1998, a capital paranaense centraliza o desenvolvimento e gestão de sistemas com o Instituto das Cidades Inteligentes. Durante esse tempo, diversas soluções foram disponibilizadas para o cidadão, que vão desde o registro de uma solicitação pela central de atendimento até o acesso à internet nas escolas.

Ainda há muito espaço para que a tecnologia modernize mais o Brasil, oferecendo cidades cada vez mais conectadas, inteligentes e bem administradas. A partir do momento que a busca pela vanguarda seja prioridade e que o cidadão seja tratado com a mesmo cuidado que uma empresa teria com seus melhores clientes, a evolução será contínua – e o dia a dia das pessoas, facilitado.

 

Matheus Henrique Batisteti é supervisor de Ambiente Informatizado. Bacharel em Sistemas de Informação, é pós-graduado em Redes e Segurança de Sistemas e está cursando MBA em Gestão de Projetos. Atua no ICI desde 2006.

A tecnologia na saúde pública

Por Francielle Regeane Vieira da Silva*

A garantia dos serviços prestados pela saúde pública está entre os maiores desafios enfrentados pelos municípios brasileiros. Muito se investe, mas pouca coisa é perceptível ao cidadão. De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 40% de todos os gastos com saúde são desperdiçados por ineficiência. O Brasil gasta 9,3% do PIB na área – ou seja, cerca de R$ 410 bilhões investidos. Se considerarmos a estimativa, R$ 164 bilhões ao ano podem estar sendo desperdiçados por pura falta de controle e gestão.

É aí que a tecnologia se mostra fundamental para a melhoria da saúde pública. Além de facilitar a administração das atividades, os novos sistemas otimizam o tempo, tanto de gestores e profissionais quanto do cidadão, e permitem maior controle de gastos.

Mas isso ainda está longe de ser realidade em muitos municípios do País. O Ministério da Saúde divulgou em outubro de 2016 que 76% das Unidades Básicas de Saúde (UBS) ainda realizam o controle do histórico do paciente em papel. Das 41.688 unidades em funcionamento, em 5.506 municípios brasileiros, apenas 10.134 possuem prontuários eletrônicos.

Quer um exemplo prático da importância do prontuário eletrônico? Num momento em que a febre amarela volta a assustar é possível, por meio dos registros coletados nos prontuários, fazer a correlação das regiões onde os casos aparecem com as condições de moradia e informações sociais dos pacientes, como frequência da coleta de lixo, tratamento do esgoto, hábitos de vida, escolaridade, faixa de renda. E assim a área epidemiológica pode atuar rapidamente e com mais eficiência.

Outro gargalo da saúde pública que pode ser tratado de maneira mais inteligente com a tecnologia é a espera por consultas e internações. O Instituto das Cidades Inteligentes (ICI) já oferece uma solução integrada que organiza e controla eletronicamente as filas de atendimento e a ocupação dos leitos. O gestor consegue acompanhar em tempo real, por meio de dashboards, as filas nas unidades de saúde e na emergência, sendo possível analisar o tempo de espera dessas solicitações e realizar a tomada de ação imediata para aperfeiçoar o processo de atendimento.

É a tecnologia possibilitando à alta administração uma visão real do dia a dia da saúde pública no município. Investimentos mais efetivos, diminuição do desperdício e informações disponíveis a qualquer tempo, que trazem impactos diretos para um melhor atendimento à população.

*Francielle Regeane Vieira da Silva é coordenadora de projetos do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

Tecnologias de Informação e Comunicação são desafios para novos prefeitos

Por Luís Mário Luchetta*

A posse dos prefeitos eleitos, em janeiro de 2017, traz muitos desafios para os novos governos. Um dos mais importantes é diagnosticar a situação atual da administração e identificar quais são os serviços demandados pela população, que ainda não são atendidos ou que precisam de melhorias. Para ter resultados eficientes nesse trabalho é preciso traçar um plano de implementação de soluções integradas de Tecnologias de Informação e Comunicação, que vão gerar manutenção e atualização permanente das informações.

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As chamadas TIC, conjunto de recursos tecnológicos que soluciona questões de comunicação em diferentes áreas e setores dos negócios, são grandes aliadas na gestão pública. Elas automatizam, padronizam e agilizam os processos, permitindo a transparência e simplificando o acesso do cidadão aos dados e serviços públicos. Novas soluções, como mobilidade urbana e iluminação inteligente, por exemplo, são gerenciados pelas TIC e favorecem diretamente os moradores das cidades.

Um cuidado importante a ser tomado pelos novos prefeitos é não subestimar a importância estratégica das TIC e nem deixar o tema ser tratado perifericamente na gestão. Será por meio dessas tecnologias que o governante conseguirá transformar o município em uma cidade inteligente, colocando as pessoas no centro do desenvolvimento e deixando o governo mais eficiente.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) publicou uma lista de cidades de várias partes do mundo com soluções inteligentes. São diversas iniciativas em cada uma delas, que vão desde sensores (IoT) em Barcelona, até dados abertos em São Francisco, com os quais busca-se resolver os mais variados problemas dos centros urbanos, de maneira ágil e efetiva.

As soluções tecnológicas de cidades inteligentes de outras partes do mundo podem ser aplicadas no Brasil. Tel Aviv, em Israel, que desenvolveu uma plataforma para integração com o cidadão por meio de um aplicativo, e San Diego, nos Estados Unidos, que possui um sistema de iluminação pública inteligente, são cidades com soluções perfeitamente aplicáveis à realidade brasileira.

TIC auxilia no processo decisório do governo, com informações organizadas de todas as áreas da gestão pública, em tempo real, e com previsões e alertas do que pode ser feito para evitar possíveis problemas. Na área da Saúde, por exemplo, um prontuário eletrônico de abrangência nacional pode integrar os dados dos diferentes provedores de serviços e os transformar em um único documento, que pode ser acessado dentro dos níveis de segurança pelo paciente, por médicos, hospitais e clínicas. Uma vez estruturado, esse sistema será a base para levar serviços on-line ao cidadão, entre eles agendamento de consultas e informações como a disponibilidade de medicamentos nas unidades, usuários em espera, especialidades disponíveis, resultados de exames, entre outros.

Na Educação, a transformação já é uma realidade com o ensino à distância e pode-se avançar principalmente na gestão pública. A estruturação de sistemas de gestão educacional, de conteúdos pedagógicos on-line e interação com a comunidade escolar são fatores determinantes para a melhoria do ensino. A tecnologia pode contribuir com o acesso e a igualdade na educação, na qualidade do ensino e aprendizagem, no processo de matrícula on-line, na chamada eletrônica, no desenvolvimento profissional dos professores, bem como melhorar a gestão, a governança e a administração educacional.

A transformação digital está acontecendo em todas as áreas da sociedade e questões como padrões, segurança, legislação e o desenvolvimento de algoritmos capazes de analisar dados e executarem uma determinada ação são os desafios deste momento. Na era cognitiva, as pessoas farão as perguntas e os computadores darão as respostas. As informações estarão em qualquer lugar, o tempo todo, ajudando os gestores a melhorar os municípios brasileiros. Mudaremos mais nos próximos 20 anos do que mudamos nos últimos 200. E esse é um grande desafio para todos nós.

*Luís Mário Luchetta é bacharel em Ciências Contábeis, especialista em Planejamento e Marketing Empresarial. É membro do programa de educação continuada do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), do qual é conselheiro de administração e fiscal certificado. Empreendedor nacional e representante comercial, atua no trabalho coletivo do setor de TIC, no qual desempenha a função de vice-presidente da Federação Assespro e presidente do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

Gerenciamento de Serviços de TIC

Por Fernando Matesco*

A Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) é um fator crítico de sucesso para a grande maioria das organizações. Em determinados ramos de negócio é quase impossível imaginá-los sem o apoio da TIC. Esta se tornou um parceiro estratégico, faz parte do negócio. Na maioria das organizações, as decisões sobre os investimentos em TIC são tratadas nas reuniões de planejamento estratégico pelo conselho administrativo da empresa, não é mais possível tratá-la isoladamente.

Em virtude deste cenário, em que a Tecnologia da Informação e Comunicação é crítica para o negócio da empresa, o Gerenciamento de Serviços de TIC é fundamental para a sobrevivência e a continuidade da organização.

A ITIL (Information Technology Infrastructure Library) define serviço como “um meio intangível de entregar valor aos clientes, facilitando resultados sem ter que assumir custos e riscos extras”. É notória a dificuldade existente para definir um serviço, algo medido pela percepção de satisfação de cada indivíduo que o recebe. Algo tão perecível, que em sua grande maioria está sendo produzido e consumido ao mesmo tempo.

Cada vez mais percebe-se que as organizações estão optando em terceirizar o serviço de TIC. Ter uma equipe de TIC alinhada aos objetivos da empresa, que faça diferença para o negócio, exige dedicação, infraestrutura adequada e profissionais bem qualificados e capacitados. Manter uma estrutura dessas gera custos elevados. Em contrapartida, a terceirização dos serviços de TIC reduz os custos operacionais, garante o recebimento de um serviço de melhor qualidade e, principalmente, propicia à organização manter o foco no negócio.

O Gerenciamento de Serviços de TIC envolve, antes de mais nada, entender as necessidades e as expectativas do cliente, e buscar o meio mais apropriado de atendê-las. É enxergar uma organização de TIC mais do que um grupo de profissionais especializados, executando tarefas técnicas isoladas dentro de suas áreas de conhecimento, e sim com uma visão de como tudo isso se encaixa e, ainda, com a visão do cliente que espera resultados de outro lado.

Sendo assim, o Gerenciamento de Serviços de TIC está longe de ser apenas uma área de atendimento aos usuários finais – Service Desk – para que a organização possa ser comunicada das falhas, dúvidas e/ou dificuldades que impactam a produtividade desses usuários, mas também envolve aspectos técnicos, operacionais e de gestão de pessoas. A entrega do serviço precisa deixar de ser reativa e passar a agregar valor ao cliente:

Reativo Proativo Valor
• Apagar incêndio; • Análise de Tendências; • Provedor de Serviços;
• Gestão de alertas e eventos; • Previne problemas; • Garante os SLAs;
• Controle da disponibilidade do ambiente. • Controle da disponibilidade de equipamentos e aplicações; • Mede e acompanha a disponibilidade dos serviços;
• Processos maduros para gestão de problemas, mudanças e desempenho. • Integra os processos;
• Melhoria contínua na qualidade dos serviços prestados;
• TIC como parceiro dos negócios.

Não é possível entregar serviço com qualidade sem um mecanismo bem definido para a gestão de todo o ciclo de vida de um serviço. É nesse momento que é recomendado a ITIL, uma biblioteca de melhores práticas para a gestão de serviços em TIC que pode ser adotada e adaptada à realidade e às necessidades da empresa.

A ITIL não pode ser vista como uma metodologia, pois as melhores práticas são flexíveis a ponto de você adaptar aos seus processos, já uma metodologia possui uma implementação mais rígida, com regras bem definidas. A vantagem da adoção das melhores práticas está no fato de não ter que “reinventar a roda”, adotar práticas já testadas propicia um ganho de tempo e retorno mais rápido sobre o projeto de implementação de uma gestão de serviços.

Para a ITIL, fazer o gerenciamento de serviços de TIC significa estruturar um conjunto especializado de habilidades organizacionais para fornecer valor para o cliente em forma de serviços. As práticas procuram fornecer o suporte necessário para que os serviços estejam em sintonia com as necessidades do negócio, aumentando a eficiência operacional e a melhoria contínua nos processos.

A gestão de TIC é, de forma resumida, o gerenciamento de: Pessoas, Processos e Tecnologia, particularmente eu adiciono os Parceiros a estes três pilares. De maneira global, esses são os componentes do serviço, cujo objetivo é viabilizar a entrega e a garantia desse serviço com foco nas necessidades do negócio.

Investir em uma boa rotina de gestão é fundamental, as organizações devem trabalhar os seus processos de tal forma que seja possível criar um fluxo contínuo de melhorias, com metas, boas ferramentas e práticas que tornem o gerenciamento de serviços mais eficaz.

Este tema pode ser abordado por diversas perspectivas, mas um dos pontos principais a ser ressaltado é que o Gerenciamento de Serviços de TIC é uma habilidade que só se desenvolve praticando.

*Fernando Matesco, gerente de Infraestrutura no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI) desde 2009, possui MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV, certificado PMP pelo PMI, certificado ITIL, certificado ISO-27002. Atua há 22 anos na área da Tecnologia da Informação, com sólida experiência em gestão de serviços de TIC. Integra o time ICI desde 2001.

O uso da tecnologia em sistemas urbanos inteligentes

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Autora: Adriana Andréa Rodrigues*

Fonte: Gazeta do Povo

A larga expansão da plataforma mobile tem auxiliado no desenvolvimento de ambientes interoperáveis, em que cidadãos se inserem na sociedade da informação por intermédio das tecnologias da informação e comunicação, estabelecendo novos processos comunicativos e usufruindo de serviços públicos digitais.

Trata-se de uma crescente integração entre objetos interconectados por meio da internet, que mediam ações e informações entre outros objetos e cidadãos, sendo independentes de intervenção humana e configurados para oferecer facilidades para o cotidiano da sociedade, permitindo a existência de uma rede amplamente conectada e gerando uma significativa massa de dados (Big Data) proveniente de diferentes dispositivos eletrônicos.

Este cenário, de materialização de ambientes permeados de informação cujos variados objetos podem conectar-se sem fio à internet e entre si, é compreendido como Internet das Coisas. O termo “Internet das Coisas” (IdC ou IoT, acrônimo de Internet of Things) é usado como sinônimo de ambientes conectados, computação ubíqua, comunicação máquina a máquina (Machine to Machine Communication, M2M), web das coisas, internet do futuro e objetos inteligentes (Smart Things). A partir desses termos, pode-se inferir como a IdC, em uma era digital de franca expansão, com a massiva utilização de smartphones, tablets e notebooks, passa a ocupar e incorporar os hábitos dos cidadãos.

Não obstante, a IdC é entendida como um fenômeno, ubíquo e em constante evolução, cujas inovações potencializam soluções capazes de promover o desenvolvimento socioeconômico e a melhoria da qualidade de vida, baseadas em aplicações interativas que, além de conter informações estáticas, contêm informações em tempo real referentes aos objetos do meio físico urbano.

Dentre as tecnologias presentes nestes ambientes conectados, destacam-se a Radio Frequency Identification (RFID), a Near Field Communication (NFC), o QR Code, as redes wireless e os sensores sem fio. Essas tecnologias são normalmente integradas em aparelhos eletrônicos, unindo o mundo real ao digital e servindo como importantes instrumentos para solucionar ou minimizar problemas urbanos, assim como auxiliar na realização de tarefas cotidianas.

A IdC descreve um cenário de funções incorporadas em muitos objetos dos espaços urbanos; microchips implantados em seres vivos, capazes de trocar informações entre si, com as pessoas ou com o ambiente; objetos com sensores embutidos para coletar diferentes tipos de dados e ajudar a entender o comportamento das cidades, a exemplo das cidades inteligentes (Smart Cities), sendo estrategicamente planejadas sob os pilares da conectividade e automação.

Iniciativas para a construção e o desenvolvimento de cidades inteligentes preconizam a adoção de tecnologias na infraestrutura urbana, em que sejam capazes de coletar e transmitir informações em tempo real acerca da dinâmica das cidades, quer seja de seres humanos, animais, objetos ou na investigação de eventos climáticos. Essas informações em tempo real sobre as questões urbanas, a partir da aplicação de métodos próprios de análise, analíticos ou preditivos, podem servir como um robusto instrumento de apoio à tomada de decisão para os setores responsáveis na administração das cidades.

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São as cidades inteligentes e as regiões monitoradas por sensores que captam informações dos postes de luz, possibilitando a redução nos custos de energia; geram informações sobre o trânsito representadas em mapas sinóticos, por meio do emprego de geotecnologia; medem a qualidade do ar e o nível de ruído. Os cidadãos serão usuários de diversas aplicações e terão cada vez mais acesso em tempo real aos serviços urbanos, do consumo de água à escolha do posto de saúde.

O planejamento urbano é uma atividade contínua para a tomada de decisão, constituindo a preparação para a gestão futura, uma vez que promove a antecipação de fenômenos futuros, buscando minimizar os problemas urbanos. Isto posto, os governos podem ser grandes usuários das aplicações da IdC, cujas tecnologias podem reduzir custos e melhorar a qualidade da prestação de serviços públicos, identificando áreas de oportunidades para que as cidades possam estabelecer e empregar estratégias que combinam a gestão da água, redes inteligentes, gestão de resíduos e estacionamento inteligente, entre outros; planejar uma cultura de IdC para favorecer o ativismo no sistema político, conciliando lei e realidade, conjugando informação e desenvolvimento; compartilhar experiências, plataformas e melhores práticas de IdC, no sentido de minimizar a fragmentação das soluções tecnológicas, bem como tornar os cidadãos mais inclusivos na construção das cidades inteligentes.

Um exemplo interessante da adoção da IdC na gestão pública é o sistema urbano de mobilidade sustentável em uso no Centro de Operações de Mobilidade, sediado no Instituto Curitiba de Informática (ICI) e integrante do projeto-piloto do Programa Ecoelétrico da Prefeitura Municipal de Curitiba, que permite o monitoramento on-line da frota de carros elétricos, bem como a manutenção dos eletropostos instalados pela cidade. O monitoramento dos indicadores como energia elétrica consumida, número de viagens e distâncias percorridas é viabilizado pela utilização da tecnologia RFID, integrante dos dispositivos do sistema instalados tanto nos veículos quanto nos eletropostos, além da adoção de outras tecnologias inteligentes associando telemetria, Big Data e Business Intelligence.

Até julho deste ano, o projeto já havia alcançado uma poupança total equivalente a 7.556,38 kg de CO2, registrando-se a maior poupança em julho de 2014 (947 kg) e a menor, em setembro do mesmo ano (266,25 kg). Desde o seu lançamento, os veículos que integram a frota do Programa Ecoelétrico já percorreram um total de 60.451 km. Em termos de energia, o total consumido até a data corresponde a 10.732,31 kWh, sendo que no mês de julho de 2015 a frota consumiu um total de 539,13 kWh.

Atualmente, estão sendo realizados testes-piloto para algumas tecnologias de comunicação sem fio (Bluetooth, GSM/GPRS, RFID) em um gateway para redes de sensores sem fio, em que se pretende o reconhecimento de características dos veículos que estacionam nas vagas sensorizadas, além da comunicação com os veículos elétricos. A nova funcionalidade poderá auxiliar na gestão do trânsito das cidades, bem como ser integrada ao sistema urbano de mobilidade.

De fato, os gestores do setor público têm uma excelente oportunidade de agir, a partir da utilização da IdC na implementação e alcance dos objetivos das políticas públicas, incluindo o aumento do crescimento econômico e melhorias na sustentabilidade ambiental, segurança pública, prestação de serviços do governo e produtividade. Não obstante, em termos de política pública, líderes de governo terão de estabelecer diálogos e entendimentos claros sobre os riscos de privacidade que acompanham a IdC. Tão importantes quanto a informação e a inteligência tecnológica são a estratégia, o planejamento e as políticas públicas que irão orientar e regular as aplicações da IdC no desenvolvimento das cidades.

Neste sentido, torna-se necessário que os governos, nas esferas federal, estadual e municipal, avaliem onde e como podem usar a IdC em suas funções administrativas, bem como o papel que a IdC poderia desempenhar na realização mais ampla dos objetivos socioeconômicos, serviços públicos e a vida cotidiana em geral, em um provimento de interação entre sociedade civil e sociedade política.

*Adriana Andréa Rodrigues, mestre em Gestão Urbana e pós-graduada em Tecnologia da Informação com ênfase em Administração Pública e em Gestão de Projetos, é pesquisadora-responsável no Instituto Curitiba de Informática (ICI) em linhas de pesquisa para a Mobilidade Urbana Sustentável e Gestão da Informação no Processo Decisório, associadas ao Centro de Operações de Mobilidade do Programa Ecoelétrico.

3 motivos para a gestão pública investir em tecnologia da informação

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A tecnologia da informação (TI) tem se mostrado capaz de eliminar muitos dos gargalos enfrentados em todos os setores que se dedicam à prestação de serviços ao cidadão. Por isso, o Techcity destaca três benefícios reais que entidades da área pública podem obter com a aplicação avançada de TI.

1. Acompanhar a satisfação do cidadão

A troca de informações entre cidadão e governo contribui para uma gestão mais democrática. Uma das formas mais eficazes de fazer isso é contar com tecnologias que permitam a busca e o recebimento de feedbacks dos cidadãos sobre a administração pública. A coleta, registro e análise desses dados servem para medir a eficácia de ações pontuais como a inauguração de uma unidade de saúde em um município ou mesmo o índice da aprovação dos serviços públicos de forma geral.

É preciso, no entanto, que as ferramentas ou soluções escolhidas tenham condições de tratar dados de diferentes áreas de interesse da população para transformá-los em diagnósticos de demanda para orientar a gestão pública.

De acordo com o Gartner, a relação com o cidadão em múltiplos canais é uma das dez tendências tecnológicas mais importantes para o governo em 2015. A estratégia tem sido adotada para fornecer aos cidadãos uma visão única sobre a organização governamental.

2. Melhorar os gastos públicos

Em uma pesquisa divulgada em 2014, a consultoria Oxford Economics, ligada à Universidade de Oxford, na Inglaterra, analisou dez países para entender o impacto que o aumento da eficiência da gestão governamental teria sobre as contas públicas. Os resultados merecem destaque: se cada um dos países fosse capaz de ampliar a eficiência em 1% ao ano, entre 2012 e 2025 seria possível economizar cerca de 2 trilhões de dólares. No Brasil, a ação resultaria na economia de 122 bilhões de dólares.

Segundo a consultoria, uma das opções mais viáveis para conquistar esse resultado é tornar a gestão das informações mais inteligente, pois isso apoiaria um dos processos mais complexos da gestão governamental, a tomada de decisões. A busca por processos que resultem em informações gerenciais de qualidade, portanto, teria como consequência direta uma maior assertividade tanto no diagnóstico quanto na resolutividade das principais demandas da administração pública.

 3. Evoluir o planejamento

Monitoramento de indicadores e simulação de cenários são dois recursos que podem fazer a diferença no planejamento das ações focadas no cidadão. Isso porque elas permitem explorar variadas resoluções e consolidar o entendimento sobre tendências internas e externas do negócio público. Em geral, isso pode ser feito com uma solução de Business Intelligence (BI).

A tecnologia de BI permite extrair e visualizar dados gerenciais de forma dinâmica e facilitada. As informações são transformadas em gráficos interativos para que o usuário tenha condições de compreender panoramas complexos. Munidos com referências reais, os gestores públicos identificam quais setores necessitam de apoio imediato e quais não demandam um esforço tão significativo, dessa forma é possível fazer a melhor distribuição de investimentos públicos.

Mais sobre o tema gestão pública

 

Projeto de Lei que eleva alíquota de imposto na TI gera reações do setor

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A aprovação do Projeto de Lei 863, que eleva as alíquotas de contribuição previdenciária do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação de 1% e 2% para 2,5% e 4,5%, respectivamente, tem causado fortes reações. De acordo com porta-vozes de entidades representativas, executivos e sindicatos, a medida impacta profundamente o mercado brasileiro e poderá resultar em uma redução na ordem de 80 a 151 mil postos de trabalho. Depois de aprovado na última quinta-feira (25) por 253 votos favoráveis, 144 contrários e uma abstenção, o texto final agora segue à apreciação do Senado Federal.

A desoneração da folha de pagamento para o setor de TIC foi uma das principais ações do plano TI Maior, criado em 2011 pela presidente Dilma Rousseff para estimular a competitividade da área, promovendo o potencial brasileiro diante do mercado mundial. O mecanismo prevê a troca da contribuição patronal para a Previdência, de 20% sobre a folha de pagamentos, por alíquotas incidentes na receita bruta. A medida, que incluía diversos setores da economia, teve caráter provisório até julho de 2014, quando foi tornada permanente por meio da Lei 12.546/2011.

Em entrevista ao portal Convergência Digital, a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) alertou para a possível perda de 80 mil empregos do setor de TIC caso a medida seja tomada. O presidente da entidade, Sergio Paulo Gallindo, disse que a queda no número de postos de trabalho deve acontecer em um período de até dois anos. “Levamos quatro anos para gerar 88 mil novos postos. Essa decisão desmonta toda a política setorial construída nesse período. E mais, a formalização do emprego vai também terminar”, declarou.

Em nota oficial, a Federação das Associações das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro Nacional) afirmou que parte da indignação se deve ao fato de o setor de TI ter gerado “aumento significativo dos empregos e da arrecadação desde a implementação da alíquota aprovada em 2014″. A federação diz que fará um trabalho de esclarecimento das lideranças regionais e nacionais da Assespro junto ao Poder Legislativo e que a expectativa é que haja modificação do Projeto de Lei no Senado. Do contrário, diz o texto, “a participação das empresas e do capital humano nacionais será reduzida, justamente o contrário ao almejado pelo governo”.

A formalização do setor e a geração de milhares de empregos nos últimos anos também são apontados pelo executivo Marco Stefanini, da multinacional brasileira de TI Stefanini, como motivos suficientes para manter a desoneração. “A medida não foi nada justa com um setor que se esforçou. Aumentamos os empregos em 30% em quatro anos e mais que isso: formalizamos o setor”, ressaltou, mencionando que o impacto da ação não será no curto prazo.

A Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE) afirmou que o setor de TI no estado terá dificuldade em manter o ritmo de crescimento e novas contratações com esta medida. A declaração é do presidente da ACATE, Guilherme Bernard: “Esta medida, que representa um aumento de 125% na alíquota, vai na contramão da necessidade de geração de empregos qualificados, especialmente neste contexto de recessão econômica que o País enfrenta”. Em 2014, revelou, “o setor de TI em Santa Catarina apresentou um crescimento de 15%, resultado que dificilmente será alcançado neste ano”.

Sindicatos temem redução ainda maior de empregos
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo, Antonio Neto, que também responde pela Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), não se deve ignorar a importância da lei de desoneração para a preservação do emprego e a renda de milhares de brasileiros no momento de crise pelo qual passa o País. “Se for sancionada a alíquota de 4,5% para os segmentos de Tecnologia da Informação e Comunicação, por exemplo, mais de 151 mil postos de trabalho serão eliminados, isto representa quase 17% da força de trabalho”, afirmou em entrevista para o site do CSB.

O presidente do Sindicato das Empresas de Informática do Rio de Janeiro, Benito Paret, afirmou que a medida será “sem dúvida fator para aumento do desemprego, diminuindo provavelmente os níveis de arrecadação ao invés de aumentá-los como se imagina”. E complementou: “Torna-se inaceitável, sem que haja uma ampla discussão na sociedade, um retrocesso que atinge tantos setores da economia, sobretudo o de TI, basicamente formado por pequenas empresas nas quais a mão de obra é um custo relevante e imprescindível”.


Saiba mais:

 

O que é uma startup?

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Apesar de ser um termo da moda, nem todo mundo sabe o que de fato é uma startup – mesmo havendo um entendimento geral de que o termo se refere a uma empresa iniciante. Mas o conceito vai além.

Uma startup é um grupo de pessoas que trabalha em conjunto para definir um modelo de negócios que seja repetível e escalável – em um ambiente de extrema incerteza. A ideia é colocar em prática o negócio para testá-lo da maneira mais eficiente possível para então poder alcançar o mercado.

Micro e pequenos empreendedores, principalmente, têm na startup uma forma de promover sua adaptação mercadológica. O objetivo é alcançar um grande número de clientes, evoluir rapidamente com relação a lucros sem que haja aumento significativo de custos. E tudo isso em um curto espaço de tempo.

Além disso, é preciso ser repetível, ou seja, ser capaz de entregar o mesmo produto em escala potencialmente ilimitada. Para isso, o produto ou serviço deverá dispensar o excesso de customizações para diferentes clientes. Os clientes, por sua vez, devem ter algum tipo de problema resolvido pelo produto ou serviço da startup. Afinal, não haveria a necessidade de novos produtos se não houvesse demandas para serem atendidas.

A questão do risco é um dos pontos centrais de uma startup. Ou seja: não há como afirmar se a empresa irá dar certo. Junto a isso, o modelo de negócios deve ser inovador, permitindo que o produto ganhe facilmente o Brasil ou o mundo não só por atender demandas significativas, mas também porque não precisa ficar preso a uma metodologia local de produção.

Mesmo sendo mais comum a existência de startups no setor de tecnologia, isso não significa que apenas essas empresas podem aproveitar o modelo. Há espaço para startups em praticamente todos os segmentos.

Leia mais

Confira livros para quem quer criar uma startup.

Leia o artigo do Sebrae sobre o modelo de negócios de startups.

Assista ao vídeo O que de fato é uma startup?.

 

Por que iniciar um blog de tecnologia

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Diariamente, milhares de conteúdos são publicados na internet por meio de redes sociais, sites e microblogs. As  mais variadas informações são despejadas sobre nós o tempo todo. Porém, muito do que circula na web é apenas um recorte de informação que nos chega sem uma análise mais apurada sobre seu contexto. No dia a dia, é difícil garimpar o que é de fato relevante nessa gigantesca teia de dados.

E é neste cenário que o Tech City surge. Seu objetivo é ser um espaço virtual para agregar informação de diferentes canais e também disponibilizar conteúdos exclusivos.

Vamos falar de tecnologia que impacta pessoas e organizações: tanto sobre o lançamento de novos sistemas operacionais quanto de estratégias de segurança da informação para empresas; dos apps inovadores do momento e dos novos conceitos de cidades inteligentes.

Instituto Curitiba de Informática
O blog Tech City é uma publicação do Instituto Curitiba de Informática, organização privada sem fins lucrativos que há 16 anos desenvolve e fornece soluções de Tecnologia da Informação e Comunicação para a administração pública. O ICI atua por meio de pesquisa, integração, desenvolvimento e implementação de soluções e atende demandas que envolvem hardware, software e conectividade, além de integrar a indústria local especializada, gerando inovações para garantir eficácia, rapidez e segurança no gerenciamento de dados.

E é tendo a expertise do ICI como base e as melhores referências de conteúdo que o Tech City inicia sua jornada, pronto para aliar dois elementos fundamentais para a evolução do planeta: a informação e a tecnologia. Bem-vindos ao Tech City!