ISO/IEC 20.000 e seu impacto no gerenciamento de serviços de TI

Quando pensamos em gerenciamento de serviços de TI, logo pensamos no ITIL, certo? Errado! De acordo com os livros do próprio ITIL, que trata das melhores práticas para o gerenciamento dos serviços de TI, a ISO/IEC 20.000 foi a primeira norma que tratou dos assuntos relacionados à área, sendo importante citar que a sua base é alinhada com as melhores práticas do ITIL. Com abordagem focada na gestão de TI com base na central de serviços, ela permite a classificação e identificação dos problemas, promovendo uma avaliação da capacidade dos sistemas, sua necessidade para o gerenciamento de mudanças, controle e distribuição de aplicativos.

Essa ISO especifica os requisitos fundamentais para que o provedor de serviços gerencie o seu Sistema de Gestão de Serviços (SGS) de forma adequada, planejando, monitorando e operando os serviços prestados. Com a consequente integração dos processos e do gerenciamento dos serviços de TI, as expectativas dos clientes são atendidas de forma eficaz.

Criada em fevereiro de 2005, ela foi a primeira norma reconhecida para a gestão de serviços de TI e é utilizada para aprimorar o Sistema de Gestão da Qualidade das organizações. Com esse normativo de qualidade, os gestores buscam a melhoria contínua de seus processos, conscientizando seus colaboradores por meio de procedimentos relacionados à entrega dos serviços com os melhores atributos. Outro ganho para a organização é a estipulação de metas e indicadores de desempenho, que além de motivarem a equipe e gerarem o aumento de desempenho, resultam em maior satisfação dos clientes.

A compatibilidade com o ITIL agrega valor às organizações. Como a ISO 20.000 adota o gerenciamento de serviços de TI como uma norma e o ITIL atrela os processos dos serviços de forma que a entrega seja realizada de forma eficaz, o gerenciamento de problemas, incidentes, liberação e configuração são realizados com compatibilidade. Isso facilita o entendimento dos processos, garantindo alinhamento e definição. Outra semelhança entre as certificações é o uso da metodologia do ciclo PDCA (Plan, Do, Check e Act), que aborda o planejamento e implementação dos serviços. Assim, os gestores possuem apoio na tomada de decisão e conseguem orientar a equipe no desenvolvimento dos serviços e projetos da organização.

Devido a todos esses benefícios, a expectativa da ISO é que a ISO/IEC 20.000 seja a norma mais utilizada pelas empresas de TI mundialmente, inclusive de forma mais consistente com as melhores práticas do ITIL. Mais do que isso: o uso em conjunto das duas certificações fortalece e comprova para os clientes que os serviços e processos estão definidos conforme as melhores práticas do gerenciamento de serviços de TI. Cabe aos gestores avaliarem a necessidade e os benefícios que as mesmas repercutem, valendo ressaltar que, em épocas em que fazer bem feito não é suficiente, o comprometimento é avaliado pelo mercado e os benefícios podem ser sentidos na qualidade e perenidade que as organizações demonstram.

* Evandro Luiz Yurk Vizinoni é coordenador de Suporte em TI Externo e Assistência Técnica no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI)

Tecnologia e setor público: como anda essa dupla?

Quando pensamos em tecnologia, surgem em nossa mente cenários homéricos, com grandes avanços e descobertas que mudaram a maneira de se relacionar com o mundo. A cada dia, novidades permeiam os canais de notícias com informações sobre inteligência artificial, big data e machine learning, provando que a evolução é contínua – e, quem sabe, infinita. Empresas correm para se adequar a essas alterações, que ditam como iremos nos relacionar com o mundo e com as demais pessoas – embora essa seja uma definição já presente em nossa rotina, podendo ser observada desde uma máquina automática de café até nos servidores de processamento de dados. Entretanto, o setor público ainda sofre para conseguir se nivelar a essas necessidades.

A morosidade do processo licitatório para a aquisição de bens e contratação de serviços impacta diretamente no que a administração pública pode oferecer e no que os cidadãos têm acesso. Diversas vezes, quando o processo é finalizado, o alicerce tecnológico já se encontra defasado, causando prejuízo aos cofres públicos e seus contribuintes. Além disso, principalmente quando se pensa no desenvolvimento de softwares, a qualidade pode impactar no resultado: apesar de não haver uma medição para auferir o quão bom um código é, a maneira como ele é construído influencia diretamente em atualizações futuras, integração com outros sistemas e velocidade de desempenho da aplicação.

Lógico que há diversos exemplos de sucesso do uso da tecnologia pela gestão pública, com a oferta de soluções que facilitam a vida do cidadão e que conseguem seguir a mesma velocidade da demandada pelo mercado. As aplicações mobile têm se destacado nesse cenário, abrindo possibilidades de disponibilização dos mais variados serviços em qualquer lugar, a qualquer hora. Alguns exemplos de sucesso são o app Menor Preço, que permite a comparação de preços de produtos com base nas notas fiscais emitidas em determinada região do Paraná. No Estado também se destaca o Saúde Já, que faz o agendamento remoto da primeira consulta nas unidades de saúde em Curitiba.

Outro exemplo que tem dado certo é a parceria com organizações sociais, que possibilita mais celeridade para atender às demandas da população. Realizada por meio de contrato de gestão, o serviço é agilizado e leva em consideração as boas práticas de mercado. Se isso funciona? Basta pegar o exemplo de Curitiba, considerada a cidade mais inteligente do Brasil pelo ranking da Connected Smart Cities: desde 1998, a capital paranaense centraliza o desenvolvimento e gestão de sistemas com o Instituto das Cidades Inteligentes. Durante esse tempo, diversas soluções foram disponibilizadas para o cidadão, que vão desde o registro de uma solicitação pela central de atendimento até o acesso à internet nas escolas.

Ainda há muito espaço para que a tecnologia modernize mais o Brasil, oferecendo cidades cada vez mais conectadas, inteligentes e bem administradas. A partir do momento que a busca pela vanguarda seja prioridade e que o cidadão seja tratado com a mesmo cuidado que uma empresa teria com seus melhores clientes, a evolução será contínua – e o dia a dia das pessoas, facilitado.

 

Matheus Henrique Batisteti é supervisor de Ambiente Informatizado. Bacharel em Sistemas de Informação, é pós-graduado em Redes e Segurança de Sistemas e está cursando MBA em Gestão de Projetos. Atua no ICI desde 2006.

Tecnologia e sua vitalidade para o futuro das cidades

Recentemente, o Governo Federal lançou o programa “Cidades Inovadoras”, uma iniciativa que contempla financiamento para modernizar os municípios brasileiros com o objetivo de construir políticas públicas sustentáveis. Os recursos vão ser distribuídos de forma prioritária para alguns setores básicos, como saneamento e mobilidade urbana, além do investimento em energias renováveis e eficiência energética. Entretanto, a proposta tem como propósito colocar o País no século XXI quando se fala de tecnologia – o que ainda é um grande gap enfrentado pela nação. Apesar de o Brasil estar entre os 10 maiores mercados do mundo na área, com destaque para o uso de soluções inovadoras em setores como o bancário e da agricultura, ainda é preciso investir muito para que a tecnologia facilite o acesso aos serviços públicos, para o exercício pleno da cidadania.

Avanços já foram vistos nos últimos anos, com a disponibilização de ferramentas que permitem um melhor acompanhamento da gestão pública. Por exemplo, o Portal da Transparência trouxe um acesso mais próximo para verificação do uso de recursos públicos. Também pelos sites governamentais é possível checar os projetos de lei propostos pelos representantes eleitos, assim como seus posicionamentos nas votações realizadas. A tecnologia acaba sendo uma ferramenta imprescindível para a democracia, aproximando a informação a quem quiser obtê-la.

Porém, ainda há muito que se investir para que a tecnologia também aja como facilitadora da vida dos cidadãos e para as tarefas que envolvem a administração pública. A portabilidade de serviços ainda é uma área pouco explorada, com algumas iniciativas que têm se destacado por desburocratizar serviços e solicitações. Um exemplo nesse âmbito é o aplicativo Saúde Já, de Curitiba, que disponibiliza o agendamento do primeiro atendimento em um posto de saúde. Outra solução de destaque lançada há pouco tempo foi o App 190, da Polícia Militar, que permite a solicitação do acompanhamento policial para grande parte dos delitos mais atendidos pelas equipes na rua.

A gama a ser explorada ainda é muito grande. Desde a integração de aplicativos que disponibilizem em tempo real informações sobre o transporte coletivo até o agendamento online da maioria dos serviços públicos, a tecnologia acaba sendo a infraestrutura necessária para agilizar processos e facilitar acessos. Além disso, em era de Big Data, a coleta, processamento e análise de informações podem identificar exatamente os pontos críticos, indicando os caminhos preferenciais para atividades e investimentos. Ainda é importante ressaltar que ela também pode ser vital para que o cidadão consiga ser vigilante e possa exercer seu papel com mais facilidade. Com meios de atuar de maneira empoderada, ele pode comentar, apontar falhas e exigir com mais efetividade que as mudanças sejam realizadas.

A grande verdade é: sem tecnologia usada de maneira efetiva, as cidades enfrentam um caminho brusco para atingirem seus potenciais. Sem facilidade de acesso, os cidadãos contemplam barreiras para um melhor equilíbrio de vida. E sem inteligência nesses processos, o desenvolvimento esbarra – assim como um futuro sustentável para todos.

 

* Amilto Francisquevis é assessor de mercado do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI)

Desafios na adoção de metodologias ágeis de desenvolvimento de software

Por Felipe Massardo

A adoção de metodologias ágeis de desenvolvimento de software é, habitualmente, uma unanimidade “teórica” em grande parte das empresas de TI, inclusive nas mais tradicionais. Digo “teórica”, pois conceitualmente falando, o Agile é muito bem aceito, é um paradigma de fácil convencimento e de fácil “vendagem” para diretorias e altas gerências. Porém, ocorre que, na prática, a implantação destas metodologias sofre bastante resistência, em todos os níveis das organizações, da cúpula diretiva à equipe técnica. Isto ocorre, pois, como toda mudança, alterar a forma de desenvolver software requer a saída da zona de conforto, trocar o certo pelo (ainda) duvidoso, onde haverá muitas dificuldades, riscos, erros e acertos até que, por fim, os resultados e os ganhos reais comecem a aparecer. Neste processo, o que é certo é que, sem total apoio e comprometimento do patrocinador da mudança (diretoria), nas primeiras dificuldades o processo tende a ser abandonado, voltando-se imediatamente ao modus operandi da empresa.

Mudança cultural

Sair da zona de conforto envolve algo bem mais profundo do que mudanças de atitudes. A grande mudança necessária é na cultura organizacional. Não basta apenas executar diferente, é necessário pensar diferente, não apenas na fase de execução dos projetos, mas desde a concepção das primeiras ideias acerca do produto até a entrega final.

Principais vantagens

Metodologias ágeis trazem uma série de vantagens em relação às tradicionais, porém duas delas merecem destaque especial. A primeira é a entrega constante e regular de software funcional. O cliente não precisa aguardar a finalização do projeto para testá-lo e, principalmente, validá-lo. Isso nos leva para a segunda vantagem, talvez a mais importante: Rápida resposta a mudanças. No mundo real, raramente um cliente possui a perspectiva detalhada do que exatamente ele deseja em seu software. Em geral, o que existe é uma ideia, muitas vezes vaga, da necessidade do cliente. Neste nível de abstração as mudanças são frequentes e perfeitamente normais, porém há uma tendência de que as incertezas sejam reduzidas conforme avança o desenvolvimento e o cliente vislumbra cada vez mais o resultado final.

Uma forma de reduzir as mudanças de escopo, independentemente da metodologia, é a troca de foco. Ao invés de se tentar detalhar a ideia (vaga) que o cliente possui, exigindo “certezas” que o mesmo não pode fornecer, torna-se mais eficiente entender a fundo o problema que se deseja resolver e então propor um software para este propósito.

Ágil X PMBOK

Metodologias ágeis, via de regra, seguem o Manifesto Ágil, que consiste em princípios fundamentais para o desenvolvimento ágil de software. Isto não significa que a adoção de uma metodologia ágil não possa ser combinada com outras metodologias de gerenciamento de projetos, como aquelas que são norteadas pelo PMBOK, por exemplo. Para exemplificar, o princípio ágil “Software funcional mais do que documentação extensa” não prega que toda a documentação deva ser abolida. É muito difícil gerenciar projetos sem um mínimo de documentação, sem aceites nem comprometimentos formais do que fora acordado. Uma ausência total de documentos pode gerar, por exemplo, projetos infinitos, nos quais o cliente sempre demanda novas features e não há como provar que as mesmas nunca fizeram parte do escopo. Em resumo, nada impede que a gestão do projeto como um todo seja feita utilizando-se os processos do PMBOK (apenas os necessários, de forma enxuta) e que a execução seja regida por uma metodologia ágil, complementando uma a outra.

Cliente-Parceiro

Uma grande mudança ao se adotar uma metodologia ágil, principalmente em relação ao desenvolvimento tradicional (em cascata), encontra-se na mudança de comportamento por parte do cliente. Este, que antes participava como um mero expectador do processo, atuando apenas no início (fornecendo a ideia) e no final do projeto (validando a entrega), passa a exercer um papel que vai além do simples cliente, tornando-se um “cliente-parceiro”. Esta necessidade é uma característica inerente do processo de desenvolvimento ágil de software, haja vista que, por exemplo, as entregas parciais só fazem sentido se forem validadas pelo cliente. Talvez ele tenha dificuldades em entender a razão de precisar gastar seu tempo, além do dinheiro, para adquirir um software. Porém, quanto maior seu envolvimento no processo, menor a chance de o produto, depois de pronto, não atender às suas expectativas. É preciso deixar claro que, quanto mais tarde ocorrerem as solicitações de mudanças (depois de pronto, no pior caso), maior será o custo (retrabalho) e o atraso.

O Time Ágil

Apesar de as vantagens do desenvolvimento ágil de software serem evidentes, é preciso ressaltar que o processo só funciona, na prática, se a equipe (time ágil) for adequada para trabalhar desta forma. Em outras palavras, metodologias ágeis não funcionam em todas as equipes. O requisito básico é que a mesma seja autogerenciável. O autogerenciamento é um conceito amplo, mas, de forma simplificada, uma equipe autogerenciável é aquela que possui a capacidade de organizar sua forma de trabalho da maneira mais eficiente possível, de maneira autônoma. É como se a equipe fosse uma microempresa dentro da organização, que possui demandas e entrega resultados, sem a necessidade de alguém lhe dizer como deve organizar seu trabalho, como deve ocorrer a comunicação interna, como devem ser distribuídas as tarefas, enfim, sem nenhuma necessidade de microgerenciamento. Porém, todos os membros da equipe, sem exceção, precisam atender a um perfil específico para fazer parte de uma equipe autogerenciável, caso contrário, desorganização e conflitos surgirão e poderão chegar ao ponto de comprometer a qualidade, os prazos e a equipe como um todo. Este perfil específico demanda, além de conhecimento técnico, alta capacidade de trabalho em equipe, organização e comprometimento. Infelizmente, nem todos possuem este perfil e, portanto, não devem fazer parte dos times ágeis enquanto não o possuírem.

A implantação de uma metodologia ágil é um processo bastante complexo, especialmente em uma empresa tradicional, principalmente por envolver abandono da zona de conforto, muitas vezes sedimentada ao longo de muitos anos, além de profundas mudanças culturais e de processos. Desta forma, todo o processo deve ser realizado de maneira gradativa, sendo o menos taxativo possível, envolvendo muito diálogo e ajustes constantes, especialmente nos primeiros projetos. É preciso ter a humildade de reconhecer que é muito difícil acertar de primeira, além de coragem e perseverança para não desistir diante das primeiras barreiras, especialmente as resistências internas. Infelizmente, nenhuma melhoria significativa é obtida sem investimentos e uma boa dose de risco, porém, os ganhos certamente fazem o esforço valer a pena.

Felipe Massardo é coordenador de projetos no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

 

Trabalho em equipe: 5 desafios a superar

Por Dyonata Laitener Ramos

Não são somente as finanças, as estratégias e nem a tecnologia que garantem sozinhas o sucesso de uma empresa. O investimento em recursos para a formação e capacitação de equipes de alto desempenho é o principal meio para gerar maior vantagem competitiva. Ao colocar profissionais com elevada competência e comprometimento trabalhando focados em objetivos estratégicos é possível dominar qualquer empresa, em qualquer mercado, contra quaisquer competidores, em qualquer época.

Embora a teoria sobre equipes de alto desempenho seja facilmente assimilada por gestores e diretores, quando o assunto é tratado na prática as organizações muitas vezes não conseguem obter o resultado desejado, porque, sem perceber, acabam enfrentando cinco situações que afetam o desempenho das equipes. Esses desafios podem ser interpretados erroneamente como questões independentes, mas formam um modelo inter-relacionado em que a fragilidade a apenas uma situação pode ser letal para o sucesso de todo o grupo.


1. Falta de confiança

O medo de se mostrar vulnerável, de sofrer represálias e punições muitas vezes impossibilita a criação de uma base de confiança entre a equipe. Para todos os membros do time deve ficar clara a mensagem de que todos têm boas intenções e de que não há motivos para não ser transparente uns com os outros. Exercícios de histórias pessoais, atividades e reuniões diferenciadas são formas de manter a equipe integrada e mais confortável para realizar suas atividades.

2. Medo de conflitos

A incapacidade de criar confiança afeta e prejudica diretamente a gestão de conflitos e as políticas interpessoais. Algumas vezes, o conflito é visto como um grande problema nas organizações e, quanto maior os níveis hierárquicos, mais tempo se gasta tentando evitar esses debates passionais. Por outro lado, quando membros da equipe não debatem ou contestam abertamente ideias importantes, acabam gerando ataques pessoais. Conflitos produtivos possibilitam melhor solução dos problemas no menor tempo possível.

3. Falta de comprometimento

Se os membros da equipe não expressam suas opiniões por meio de debates abertos, raramente é obtido o comprometimento com as decisões tomadas, mesmo que concordem ou finjam concordar. O consenso remete a buscar a adesão da equipe mesmo quando a unanimidade é impossível e isso é considerado extremamente frágil. O ideal seria identificar que as opiniões foram ouvidas e levadas em consideração e definir que a decisão tomada é a melhor para a situação. Estabelecer prazos, rever os detalhes e criar um plano de contingência prevendo diferentes tipos de cenários combatem alguns problemas criados pela falta de compromisso.

4. Fugir das cobranças

A falta de comprometimento e a discordância sobre as escolhas feitas levam a mais uma situação crítica para as equipes de alto desempenho: a não identificação das responsabilidades de cada um. Como não há compromisso com a decisão tomada, até os membros mais engajados e motivados hesitam em fazer cobranças aos seus colegas em relação ao comportamento e a atitudes contraproducentes para o sucesso da equipe.

Essa relação de microgestão da equipe é primordial e a cobrança é necessária, de maneira respeitosa, demonstrando que os membros têm grandes expectativas em relação ao desempenho dos colegas. Uma boa maneira de reverter esse quadro é definir objetivos e padrões de trabalhos, assim como identificar claramente os papéis e responsabilidades do que cada membro da equipe deve fazer para obter o sucesso. Além de definir é importante exibir essas informações para que todos possam visualizar e para que ninguém consiga ignorá-los facilmente.

5. Falta de atenção aos resultados

A última situação ocorre quando os membros da equipe colocam suas necessidades individuais (ego, sucesso na carreira ou reconhecimento) acima dos objetivos da equipe. Por mais clara que seja a necessidade de que essa situação não ocorra, muitas equipes têm dificuldade em focar nos resultados do grupo. Elas não priorizam os objetivos significativos e querem apenas continuar existindo. Para estes casos é muito importante definir o foco e os resultados mensuráveis e apresentá-los a todos os membros. Com isso, as equipes tendem a trabalhar com mais afinco para alcançar e até mesmo superar todas as expectativas e metas estabelecidas.

Dyonata Laitener Ramos, coordenador de projetos do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

O caminho para cidades inteligentes

Por Fernando Matesco

Entende-se por uma cidade inteligente aquela que utiliza meios para melhorar a qualidade de vida e os serviços urbanos, com foco na população. O cidadão deve estar no centro dos programas de inovação e modernização das cidades, que devem ser atrativas com relação aos aspectos sociais, econômicos e ambientais. O maior motivo das cidades existirem é o cidadão.

A governança participativa é fundamental na construção de uma cidade inteligente. O gestor deve disponibilizar canais de comunicação que incentivam o cidadão a apoiar a evolução das cidades, e, em troca, o cidadão deve aumentar seu envolvimento na governança da cidade.

Diante deste cenário, o uso da tecnologia torna os centros urbanos mais eficientes. As soluções são cada vez mais criativas e inovadoras, favorecem um ambiente mais colaborativo e participativo – em que as pessoas estão on-line todo o tempo, com novos serviços à disposição – e permitem ao poder público atuar de forma preventiva.

Muito se fala referente à construção das cidades inteligentes e qual o melhor caminho a ser percorrido. O mais importante é considerar quais os benefícios esperados, tendo como foco o cidadão. Ao longo do caminho, é imprescindível ter em mente alguns passos importantes.

O primeiro é definir uma equipe multidisciplinar, formada por especialistas de diferentes áreas, dependendo de cada projeto. A partir daí, é preciso traçar uma estratégia de acordo com a principal parte interessada – o cidadão – e realizar um diagnóstico mapeando os maiores problemas, limitações e desafios dos projetos a serem desenvolvidos na cidade.

Com um diagnóstico bem elaborado se torna mais fácil mapear as soluções tecnológicas viáveis para a cidade. Nesse momento, é preciso definir um plano de ações e projetos pilotos que testem, na prática, as soluções mapeadas. A avaliação dos resultados pode ser feita por meio de um PDCA (Plan – Do – Check – Act) em todos os passos do processo.

Os resultados positivos em cada etapa serão, com certeza, as motivações para as futuras ações. O objetivo principal é criar condições de sustentabilidade, melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, a governança e a gestão das cidades, garantindo o atendimento das necessidades das gerações atuais e futuras.

Uma cidade inteligente está apta a antecipar as necessidades futuras. Consegue agir prontamente ou até mesmo prever crises. Além disso, as ações passam a ser coordenadas e integradas, com melhor aproveitamento dos recursos e investimentos. E assim a qualidade dos serviços oferecidos à população melhora e a cidade passa a ser mais eficiente.

Fernando Matesco, diretor técnico do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI). 

 

Organizando processos com roadmaps

Por Débora Morales

Para não correr o risco de perder as ideias em meio à desordem do processo de criação, o ideal é criar um roteiro para que todas as fases sejam concluídas com sucesso. Entre as ferramentas existentes estão os roadmaps. Os chamados mapas tecnológicos garantem a otimização de tempo, o aumento da produtividade e a segurança das informações – aspectos que garantem mais eficiência e bons resultados nos negócios.

O roadmap deve ser elaborado a partir da análise do negócio, sendo definido o horizonte temporal e o seu nível de detalhamento. A meta é desenvolver produtos altamente competitivos no mercado. Empresas de diversos segmentos utilizam os roadmaps, que funcionam como bússolas que orientam, alinham e fornecem suporte necessário para a elaboração do planejamento estratégico e plano de negócios. Para gestores que desejam explorar o emprego da tecnologia, a ferramenta identifica e seleciona alternativas que satisfaçam o conjunto de requisitos necessários para a melhoria dos produtos.

A utilização da ferramenta varia de acordo com a necessidade das empresas e pode se executada em etapas. Na primeira etapa são eleitos, no planejamento estratégico, quais produtos do portfólio são os mais indicados para o investimento de melhorias e em que ordem isso deve ocorrer.

Após a escolha, deve-se fazer uma análise de mercado detalhada do produto selecionado, buscando identificar outros produtos semelhantes para realizar uma comparação entre todas as funcionalidades existentes. A pesquisa de mercado detalhada costuma ser muito reveladora, pois, além de apontar pontos fracos e fortes do produto em questão, pode também determinar a viabilidade de dar continuidade ao ciclo de vida desse mesmo produto. Em alguns casos, o estudo mostra que continuar com aquela linha de produto do portfólio não é mais viável. Em outros, que não existe viabilidade financeira para investir na evolução dele.

A partir de uma análise de mercado bem-sucedida, a última etapa é elencar o que deve ser melhorado no produto. Nesse momento, é indicado criar um cronograma de desenvolvimento com metodologias ágeis, de fácil aplicação. E assim, o “ciclo de vida” de um produto flui por meio do roadmap, que, se mantido vivo, gera uma visão melhor de resultados para a empresa.

Débora Morales é estatística no Instituto das Cidades Inteligentes.

Automatização de processos de RH

Por Ursula Lisboa de Miranda Tenereli

Segundo pesquisa realizada pela Gartner, em 2017 o mercado de tecnologia deve crescer até 2,5%, comparado a 2016. Todos esses novos recursos podem ser adaptados em diversos segmentos, de acordo com as necessidades das empresas. Mais do que inovação, as empresas enxergam nesses novos recursos ferramentas que geram grandes resultados e, consequentemente, facilitam a administração.

Na administração pública, por exemplo, alguns sistemas são desenvolvidos exclusivamente para a área de Recursos Humanos, o que possibilita mais agilidade no atendimento aos servidores e maior rendimento não só para os profissionais de RH, mas para a instituição como um todo.

Cada processo engloba uma gama enorme de decretos, leis, regras e peculiaridades e, a cada nova gestão, vários desses processos estão sujeitos a sofrerem alterações e reformulações, sem que deixem de ser sistematicamente seguidos. Muitas vezes, essas mudanças, sem essa automatização, poderiam até inviabilizar o funcionamento do órgão público. Com processos tão complexos, é praticamente inimaginável controlá-los e executá-los sem o apoio de um sistema informatizado.

Além dos cálculos de folha de pagamento, e do controle de férias, processos como o remanejamento dos profissionais das áreas da saúde e educação, progressão de servidores levariam dias ou até semanas para serem realizados manualmente. A automatização permite ao profissional de RH realizar todos esses trâmites em poucos minutos.

As prefeituras de Vitória (ES), Teresina (PI) e Curitiba (PR) utilizam soluções desenvolvidas pelo Instituto das Cidades Inteligentes (ICI) para obter maior controle de processos e redução de custos para as instituições.

A automatização permite também total integração entre os diversos serviços da gestão de recursos humanos, órgãos, sistemas utilizados na administração municipal ou convênios externos. Por meio de relatórios, consultas, estatísticas e business intelligence, é possível fornecer dados precisos e seguros aos gestores e a órgãos como Tribunal de Contas, Ministério do Trabalho, Receita Federal. Tudo de forma ágil.

Seja na área de Recursos Humanos ou em qualquer outra, nota-se que a tecnologia está se tornando essencial para suprir as carências das empresas e, principalmente, da administração pública. Traçando um planejamento que mostre qual a melhor ferramenta a ser utilizada, a gestão administrativa e financeira se torna muito mais simples, fácil e objetiva.

* Ursula Lisboa de Miranda Tenereli , coordenadora de Sistemas de Recursos Humanos do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

A tecnologia na saúde pública

Por Francielle Regeane Vieira da Silva*

A garantia dos serviços prestados pela saúde pública está entre os maiores desafios enfrentados pelos municípios brasileiros. Muito se investe, mas pouca coisa é perceptível ao cidadão. De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 40% de todos os gastos com saúde são desperdiçados por ineficiência. O Brasil gasta 9,3% do PIB na área – ou seja, cerca de R$ 410 bilhões investidos. Se considerarmos a estimativa, R$ 164 bilhões ao ano podem estar sendo desperdiçados por pura falta de controle e gestão.

É aí que a tecnologia se mostra fundamental para a melhoria da saúde pública. Além de facilitar a administração das atividades, os novos sistemas otimizam o tempo, tanto de gestores e profissionais quanto do cidadão, e permitem maior controle de gastos.

Mas isso ainda está longe de ser realidade em muitos municípios do País. O Ministério da Saúde divulgou em outubro de 2016 que 76% das Unidades Básicas de Saúde (UBS) ainda realizam o controle do histórico do paciente em papel. Das 41.688 unidades em funcionamento, em 5.506 municípios brasileiros, apenas 10.134 possuem prontuários eletrônicos.

Quer um exemplo prático da importância do prontuário eletrônico? Num momento em que a febre amarela volta a assustar é possível, por meio dos registros coletados nos prontuários, fazer a correlação das regiões onde os casos aparecem com as condições de moradia e informações sociais dos pacientes, como frequência da coleta de lixo, tratamento do esgoto, hábitos de vida, escolaridade, faixa de renda. E assim a área epidemiológica pode atuar rapidamente e com mais eficiência.

Outro gargalo da saúde pública que pode ser tratado de maneira mais inteligente com a tecnologia é a espera por consultas e internações. O Instituto das Cidades Inteligentes (ICI) já oferece uma solução integrada que organiza e controla eletronicamente as filas de atendimento e a ocupação dos leitos. O gestor consegue acompanhar em tempo real, por meio de dashboards, as filas nas unidades de saúde e na emergência, sendo possível analisar o tempo de espera dessas solicitações e realizar a tomada de ação imediata para aperfeiçoar o processo de atendimento.

É a tecnologia possibilitando à alta administração uma visão real do dia a dia da saúde pública no município. Investimentos mais efetivos, diminuição do desperdício e informações disponíveis a qualquer tempo, que trazem impactos diretos para um melhor atendimento à população.

*Francielle Regeane Vieira da Silva é coordenadora de projetos do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

Os Cidadãos e as Cidades Inteligentes

Por Luís Mário Luchetta*

Os grandes centros urbanos não param de crescer e em 2020 teremos mais de 50 bilhões de dispositivos conectados e mais de 5 bilhões de pessoas online. Além da inteligência artificial, robótica e drones, que também são realidade, cada vez mais a população mundial estará conectada. Só no Brasil já temos mais 110 milhões de brasileiros com acesso à Internet.

A cultura da inovação está viabilizando um ambiente colaborativo, de aprendizado contínuo e disponibilização de novos serviços. Um novo ecossistema é formado nas cidades, em suas economias, serviços e na vida das pessoas.

A mudança nunca aconteceu com tanta velocidade. Algumas tecnologias utilizadas hoje terão desaparecido daqui a 5 anos. Projetos de geração de energia solar, por exemplo, eram economicamente inviáveis há alguns anos, mas hoje estão implantados em muitas residências.

As cidades crescem e necessitam de novas soluções e tecnologias, que gerem inovação e tragam novas oportunidades para seus habitantes. Com essa realidade estabelecida, surge a geração de trabalhadores e consumidores conectados, em busca de serviços de qualidade com o menor custo e maior disponibilidade.

Como exemplo, podemos citar a batalha com os serviços de transporte no mundo. Em pouco tempo, uma nova empresa se tornou a maior operadora global de mobilidade urbana sem ter um carro em sua frota. Velhos modelos estão tendo que se adaptar, se reinventar a este novo mundo. As mudanças não param por aí e em breve estaremos com nossas ruas cheias de veículos elétricos e autônomos.

Talvez as grandes perguntas sejam “o que a gente faz que a máquina não pode fazer?” e “como podemos gerar um ambiente de inovação e extrair o máximo das tecnologias?”.  Com a internet das coisas, Big Data, mobilidade e redes sociais, pode-se transformar os modelos de negócios e as experiências dos usuários. Soluções para educação, saúde, transporte e manutenção urbana são alguns exemplos de transformação das cidades que com uso da tecnologia possibilitam a redução de tempo, aumento de segurança e da qualidade dos serviços para as pessoas.

Estamos à frente de um grande desafio e oportunidades para cidades e pessoas. Nossa única certeza é a da mudança, talvez ideias simples que combinem dois ou mais elementos tecnológicos possam gerar grandes revoluções e solucionar problemas. A cidade inteligente terá que ajudar a promover o processo de transformação para que as empresas continuem crescendo e gerando lucros e as pessoas tenham um sentimento de satisfação e de desenvolvimento contínuo. É nas cidades onde vivemos que buscamos a realização de nossos sonhos.

A transformação digital está acontecendo em todas as áreas da sociedade e questões como padrões, segurança, legislação e o desenvolvimento de algoritmos capazes de analisar dados e executarem uma determinada ação são desafios deste momento.

Na era cognitiva, as pessoas farão as perguntas e os computadores darão as respostas. Tudo vai ser um dispositivo: seu carro, sua roupa, o espelho, entre outros. Teremos mais de 20 bilhões de aparelhos conectados e interagindo. As informações estarão em qualquer lugar, o tempo todo. Mudaremos mais nos próximos 20 anos do que mudamos nos últimos 200 anos.

Luís Mário Luchetta é bacharel em Ciências Contábeis, Especialista em Planejamento e Marketing Empresarial. É membro do programa de educação continuada do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa-IBGC, do qual é conselheiro de administração e fiscal certificado. Empreendedor nacional e representante comercial, atua no trabalho coletivo do Setor de TIC, no qual desempenha a função de  vice-presidente da Federação Assespro e presidente do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).