ISO/IEC 20.000 e seu impacto no gerenciamento de serviços de TI

Quando pensamos em gerenciamento de serviços de TI, logo pensamos no ITIL, certo? Errado! De acordo com os livros do próprio ITIL, que trata das melhores práticas para o gerenciamento dos serviços de TI, a ISO/IEC 20.000 foi a primeira norma que tratou dos assuntos relacionados à área, sendo importante citar que a sua base é alinhada com as melhores práticas do ITIL. Com abordagem focada na gestão de TI com base na central de serviços, ela permite a classificação e identificação dos problemas, promovendo uma avaliação da capacidade dos sistemas, sua necessidade para o gerenciamento de mudanças, controle e distribuição de aplicativos.

Essa ISO especifica os requisitos fundamentais para que o provedor de serviços gerencie o seu Sistema de Gestão de Serviços (SGS) de forma adequada, planejando, monitorando e operando os serviços prestados. Com a consequente integração dos processos e do gerenciamento dos serviços de TI, as expectativas dos clientes são atendidas de forma eficaz.

Criada em fevereiro de 2005, ela foi a primeira norma reconhecida para a gestão de serviços de TI e é utilizada para aprimorar o Sistema de Gestão da Qualidade das organizações. Com esse normativo de qualidade, os gestores buscam a melhoria contínua de seus processos, conscientizando seus colaboradores por meio de procedimentos relacionados à entrega dos serviços com os melhores atributos. Outro ganho para a organização é a estipulação de metas e indicadores de desempenho, que além de motivarem a equipe e gerarem o aumento de desempenho, resultam em maior satisfação dos clientes.

A compatibilidade com o ITIL agrega valor às organizações. Como a ISO 20.000 adota o gerenciamento de serviços de TI como uma norma e o ITIL atrela os processos dos serviços de forma que a entrega seja realizada de forma eficaz, o gerenciamento de problemas, incidentes, liberação e configuração são realizados com compatibilidade. Isso facilita o entendimento dos processos, garantindo alinhamento e definição. Outra semelhança entre as certificações é o uso da metodologia do ciclo PDCA (Plan, Do, Check e Act), que aborda o planejamento e implementação dos serviços. Assim, os gestores possuem apoio na tomada de decisão e conseguem orientar a equipe no desenvolvimento dos serviços e projetos da organização.

Devido a todos esses benefícios, a expectativa da ISO é que a ISO/IEC 20.000 seja a norma mais utilizada pelas empresas de TI mundialmente, inclusive de forma mais consistente com as melhores práticas do ITIL. Mais do que isso: o uso em conjunto das duas certificações fortalece e comprova para os clientes que os serviços e processos estão definidos conforme as melhores práticas do gerenciamento de serviços de TI. Cabe aos gestores avaliarem a necessidade e os benefícios que as mesmas repercutem, valendo ressaltar que, em épocas em que fazer bem feito não é suficiente, o comprometimento é avaliado pelo mercado e os benefícios podem ser sentidos na qualidade e perenidade que as organizações demonstram.

* Evandro Luiz Yurk Vizinoni é coordenador de Suporte em TI Externo e Assistência Técnica no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI)

Tecnologia e setor público: como anda essa dupla?

Quando pensamos em tecnologia, surgem em nossa mente cenários homéricos, com grandes avanços e descobertas que mudaram a maneira de se relacionar com o mundo. A cada dia, novidades permeiam os canais de notícias com informações sobre inteligência artificial, big data e machine learning, provando que a evolução é contínua – e, quem sabe, infinita. Empresas correm para se adequar a essas alterações, que ditam como iremos nos relacionar com o mundo e com as demais pessoas – embora essa seja uma definição já presente em nossa rotina, podendo ser observada desde uma máquina automática de café até nos servidores de processamento de dados. Entretanto, o setor público ainda sofre para conseguir se nivelar a essas necessidades.

A morosidade do processo licitatório para a aquisição de bens e contratação de serviços impacta diretamente no que a administração pública pode oferecer e no que os cidadãos têm acesso. Diversas vezes, quando o processo é finalizado, o alicerce tecnológico já se encontra defasado, causando prejuízo aos cofres públicos e seus contribuintes. Além disso, principalmente quando se pensa no desenvolvimento de softwares, a qualidade pode impactar no resultado: apesar de não haver uma medição para auferir o quão bom um código é, a maneira como ele é construído influencia diretamente em atualizações futuras, integração com outros sistemas e velocidade de desempenho da aplicação.

Lógico que há diversos exemplos de sucesso do uso da tecnologia pela gestão pública, com a oferta de soluções que facilitam a vida do cidadão e que conseguem seguir a mesma velocidade da demandada pelo mercado. As aplicações mobile têm se destacado nesse cenário, abrindo possibilidades de disponibilização dos mais variados serviços em qualquer lugar, a qualquer hora. Alguns exemplos de sucesso são o app Menor Preço, que permite a comparação de preços de produtos com base nas notas fiscais emitidas em determinada região do Paraná. No Estado também se destaca o Saúde Já, que faz o agendamento remoto da primeira consulta nas unidades de saúde em Curitiba.

Outro exemplo que tem dado certo é a parceria com organizações sociais, que possibilita mais celeridade para atender às demandas da população. Realizada por meio de contrato de gestão, o serviço é agilizado e leva em consideração as boas práticas de mercado. Se isso funciona? Basta pegar o exemplo de Curitiba, considerada a cidade mais inteligente do Brasil pelo ranking da Connected Smart Cities: desde 1998, a capital paranaense centraliza o desenvolvimento e gestão de sistemas com o Instituto das Cidades Inteligentes. Durante esse tempo, diversas soluções foram disponibilizadas para o cidadão, que vão desde o registro de uma solicitação pela central de atendimento até o acesso à internet nas escolas.

Ainda há muito espaço para que a tecnologia modernize mais o Brasil, oferecendo cidades cada vez mais conectadas, inteligentes e bem administradas. A partir do momento que a busca pela vanguarda seja prioridade e que o cidadão seja tratado com a mesmo cuidado que uma empresa teria com seus melhores clientes, a evolução será contínua – e o dia a dia das pessoas, facilitado.

 

Matheus Henrique Batisteti é supervisor de Ambiente Informatizado. Bacharel em Sistemas de Informação, é pós-graduado em Redes e Segurança de Sistemas e está cursando MBA em Gestão de Projetos. Atua no ICI desde 2006.

Tecnologia e sua vitalidade para o futuro das cidades

Recentemente, o Governo Federal lançou o programa “Cidades Inovadoras”, uma iniciativa que contempla financiamento para modernizar os municípios brasileiros com o objetivo de construir políticas públicas sustentáveis. Os recursos vão ser distribuídos de forma prioritária para alguns setores básicos, como saneamento e mobilidade urbana, além do investimento em energias renováveis e eficiência energética. Entretanto, a proposta tem como propósito colocar o País no século XXI quando se fala de tecnologia – o que ainda é um grande gap enfrentado pela nação. Apesar de o Brasil estar entre os 10 maiores mercados do mundo na área, com destaque para o uso de soluções inovadoras em setores como o bancário e da agricultura, ainda é preciso investir muito para que a tecnologia facilite o acesso aos serviços públicos, para o exercício pleno da cidadania.

Avanços já foram vistos nos últimos anos, com a disponibilização de ferramentas que permitem um melhor acompanhamento da gestão pública. Por exemplo, o Portal da Transparência trouxe um acesso mais próximo para verificação do uso de recursos públicos. Também pelos sites governamentais é possível checar os projetos de lei propostos pelos representantes eleitos, assim como seus posicionamentos nas votações realizadas. A tecnologia acaba sendo uma ferramenta imprescindível para a democracia, aproximando a informação a quem quiser obtê-la.

Porém, ainda há muito que se investir para que a tecnologia também aja como facilitadora da vida dos cidadãos e para as tarefas que envolvem a administração pública. A portabilidade de serviços ainda é uma área pouco explorada, com algumas iniciativas que têm se destacado por desburocratizar serviços e solicitações. Um exemplo nesse âmbito é o aplicativo Saúde Já, de Curitiba, que disponibiliza o agendamento do primeiro atendimento em um posto de saúde. Outra solução de destaque lançada há pouco tempo foi o App 190, da Polícia Militar, que permite a solicitação do acompanhamento policial para grande parte dos delitos mais atendidos pelas equipes na rua.

A gama a ser explorada ainda é muito grande. Desde a integração de aplicativos que disponibilizem em tempo real informações sobre o transporte coletivo até o agendamento online da maioria dos serviços públicos, a tecnologia acaba sendo a infraestrutura necessária para agilizar processos e facilitar acessos. Além disso, em era de Big Data, a coleta, processamento e análise de informações podem identificar exatamente os pontos críticos, indicando os caminhos preferenciais para atividades e investimentos. Ainda é importante ressaltar que ela também pode ser vital para que o cidadão consiga ser vigilante e possa exercer seu papel com mais facilidade. Com meios de atuar de maneira empoderada, ele pode comentar, apontar falhas e exigir com mais efetividade que as mudanças sejam realizadas.

A grande verdade é: sem tecnologia usada de maneira efetiva, as cidades enfrentam um caminho brusco para atingirem seus potenciais. Sem facilidade de acesso, os cidadãos contemplam barreiras para um melhor equilíbrio de vida. E sem inteligência nesses processos, o desenvolvimento esbarra – assim como um futuro sustentável para todos.

 

* Amilto Francisquevis é assessor de mercado do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI)

Um novo mundo chamado “VUCA”

Sempre que a civilização passa por revoluções disruptivas e dissonantes, o mundo inteiro muda de maneira profunda. Nos últimos tempos, essas mudanças têm sido mais rápidas e intensas, o que gera a maior probabilidade de interrupção dos modelos já conhecidos.

Isso tem impactado as experiências, principalmente as empresas, que se viram com novos desafios nas últimas décadas. As que não conseguiram navegar pelas rápidas novidades trazidas em seu mercado por esses tipos de forças, agora enfrentam mudanças inevitáveis. Entretanto, a carência de liderança, flexibilidade e imaginação para se adaptar tem ocasionado resultados negativos, o que leva a um alerta para os negócios, instituições e estados.

Esse movimento fez surgir o termo “Mundo VUCA”, que se refere ao estado atual e imprevisível dos novos tempos. VUCA é um acrônimo que significa Volatility(volatilidade), Uncertainty (incerteza), Complexity (complexidade) e Ambiguity(ambiguidade). Criada na década de 90, a ideia foi introduzida para descrever as mudanças drásticas que acontecem no mundo, focando nas incertezas e multilateralidade das ações. Posteriormente, foi adotada por líderes empresariais para descrever as alterações vividas no ambiente de negócios, que se tornou caótico, turbulento e extremamente volátil, resultando na incerteza e falta de previsibilidade de problemas e eventos.

O modelo VUCA identifica as condições internas e externas que afetam as organizações. A maioria das regras antigas já não se aplicam mais, e os limites em torno das empresas estão mudando, formando redes globais de relações complexas entre as partes interessadas.

Para superar essa nova onda, algumas habilidades podem ser desenvolvidas para ajudar a dar sentido às lideranças em um ambiente VUCA. Algumas delas são visão, entendimento, clareza e agilidade.

Criar uma visão e “dar sentido ao mundo” talvez seja mais importante agora do que em qualquer momento da história moderna para muitas empresas, já que a economia global abrange todos os países e os concorrentes estão emanando de todos os lugares. Para isso, é necessário entender os próprios valores mas também as intenções dos outros, capacidade essencial de saber o que você quer ser e aonde quer ir, mas se tornando aberto a várias maneiras de atingir o objetivo final.

A busca pela clareza em relação a si mesmo e por relacionamentos e soluções sustentáveis contribui para saber como liderar nos momentos de desordem, que exigem maior capacidade de utilizar todas as facetas da mente humana. A agilidade também acaba sendo essencial, sendo ela o equilíbrio para enfrentar as forças turbulentas que não podem ser evitadas – assim, se é capaz de se adaptar rapidamente para aproveitar as vantagens que se apresentam no novo cenário.

Com esse novo cenário, há duas possibilidades: olhar para o mundo por meio de uma lente chamada VUCA e dizer “é um mundo difícil”, ou aprender e desenvolver habilidades corretas e dizer “é um mundo que está mudando rapidamente e pode-se navegar por ele com sucesso”.

*Débora Morales é mestra em Engenharia de Produção (UFPR) na área de Pesquisa Operacional com ênfase a métodos estatísticos aplicados à engenharia e inovação e tecnologia, especialista em Engenharia de Confiabilidade (UTFPR), graduada em Estatística e em Economia. Atua como Estatística no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

O que os presidenciáveis não debatem

A corrida eleitoral já começou e promete ser acompanhada de perto pelos brasileiros. Nos últimos anos, política passou a ser assunto abordado nas mais diversas rodas de conversa: se antes o tema era considerado indiscutível, assim como futebol e religião, agora, ele tem se tornado público, imprescindível e um reflexo das preocupações com a economia, com a crise enfrentada pelo país nos últimos anos e com as consequências do combate à corrupção. Essa recente politização é o início do que pode ajudar na transformação da máquina pública, fazendo com que a corrupção possa fazer parte do passado, em vez de ser uma constante que incomoda, mas que ninguém faz nada a respeito.

Uma das formas de entender as propostas dos presidenciáveis é acompanhar os debates, que devem se tornar constantes e apresentam de forma resumida os programas de governo (estes que não seguem um padrão e estão dispostos em documentos que contêm de cinco a 228 páginas), com metas, promessas e o que é considerado importante pelos candidatos. Entretanto, ao analisar as discussões públicas que aconteceram até o momento, um tema tão importante para a sociedade, que é foco de praticamente todos os setores de peso do país, ainda não foi abordado: tecnologia. E vamos ser mais específicos: tecnologia para tornar as cidades inteligentes, otimizando a estrutura para agilizar, reduzir e ampliar o acesso dos cidadãos aos principais serviços públicos.

O tema também não é muito tratado pelos programas de governo. Quando é mencionado, tem grande foco no desenvolvimento industrial brasileiro e na aplicação da tecnologia para a indústria 4.0. Um ou outro candidato ainda comenta sobre a necessidade de centralização dos dados do Sistema Único de Saúde, ou ainda sobre a integração de informações, mas a tecnologia acaba sendo subvalorizada como estratégia para revolucionar os Estados e Municípios. No entanto, sabemos que as cidades mais inteligentes do mundo têm em comum o uso de recursos inovadores para uma gestão mais eficiente, sem necessariamente terem que aumentar a sua infraestrutura. Trata-se, também, de encontrar pontos de melhoria no que já existe e investir corretamente, conseguindo, sim, fazer mais com menos.

Lógico que, em sua imensidão e diferenças de desenvolvimento entre regiões, o Brasil ainda demanda investimento em setores básicos, como educação, saúde, transportes e emprego. Mas a otimização do que já existe pode transformar as cidades e seus cidadãos: transporte público integrado e que atenda às necessidades da população, com incentivo ao uso de bicicletas e outras alternativas sustentáveis; acesso digital aos principais serviços para a população, automatizando demandas e agilizando processos; melhor aproveitamento de estruturas públicas, com espaços adaptados para as necessidades atuais, com redução dos custos com infraestrutura; incentivo à obtenção de energias renováveis, tornando os locais autossuficientes para o abastecimento de energia elétrica; entre outras tantas iniciativas que poderiam simplesmente melhorar o país com o que já se tem.

A busca pela sustentabilidade é algo que podemos destacar sobre a importância da tecnologia e das cidades inteligentes. Mais do que isso, trata-se de ter a qualidade de vida como um ponto importante no processo de desenvolvimento do país, gerando o que, particularmente, deveria ser uma das prioridades máximas de qualquer um que deseja estar à frente do Brasil: proporcionar ao cidadão formas de viver bem, enquanto se preserva e já prepara o terreno para as gerações futuras.

* Fabrício Zanini é diretor-presidente do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

França x Croácia: quem ganha na disputa de cidades inteligentes?

A Croácia não estava entre as preferidas para a Copa do Mundo de 2018, mas surpreendeu e chegou às semifinais, eliminando a Inglaterra nas prorrogações. Agora, a seleção disputa a taça do torneio com a França no próximo domingo (15), em um jogo em que não será favorita. Mas quando falamos sobre cidades inteligentes, será que a Croácia ganha da França? Confira:

Estudo aponta as cidades mais inteligentes do mundo

O estudo IESE – Cidades em Movimento 2018, realizado pela IESE – Business School da Universidade de Navarra, analisou nove dimensões de 165 cidades pelo mundo (74 delas são capitais) para determinar as cidades mais inteligentes. A análise incluiu indicadores relacionados ao capital humano, aspectos sociais, economia, governança, meio ambiente, mobilidade e transporte, planejamento urbano, acesso a serviços internacionais e tecnologia. Ao todo, foram verificados 83 indicadores, sendo que Zagreb, a capital da Croácia, e Paris, capital da França, fizeram parte das cidades estudadas.

Paris, a terceira cidade mais inteligente do mundo

No ranking, Paris desponta como uma das cidades mais avançadas do mundo, com nota 90.20. A capital da França atingiu a melhor nota do estudo para o acesso a serviços internacionais, que considera planos de turismo estratégicos, atrativos para investimento estrangeiros e representação fora do País. Outro destaque é a primeira colocação para mobilidade e transporte, que analisou o alcance do metrô e a quantidade de estações e voos disponíveis, e até o tempo gasto no tráfego.

Segundo o assessor de mercado do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI), Amilto Francisquevis, Paris também se destaca nesse quesito pelo funcionamento do transporte público. “Além do sistema utilizar combustível verde, grande parte da população realmente utiliza o transporte de forma regular. E a cidade tem uma iniciativa interessante, que é um programa gratuito de empréstimo de bicicletas, que funciona desde 2007”, adiciona Francisquevis. Paris ainda conquistou o terceiro lugar no ranking para planejamento urbano e o sétimo lugar para economia.

Zagreb e seu cuidado com o meio ambiente

A capital da Croácia, que possui aproximadamente 800 mil habitantes, perde na disputa de cidades mais inteligentes: ocupa 83ª posição no ranking da IESE com a nota 52.31 (a cidade melhor classificada do Brasil, que é São Paulo, possui 44.63 de pontuação). Um dos fatos que influencia é a grande diferença no Produto Interno Bruto (PIB) dos dois Países.

Nas dimensões analisadas, Zagreb se destaca em meio ambiente, ocupando a 27ª posição, que considera indicadores como as emissões de gás carbônico e de metano, o índice de poluição e a quantidade de lixo gerada anualmente por pessoa. A cidade também ocupa o 43º lugar para aspectos sociais, que inclui dados sobre mortalidade, saúde, desemprego e até o número de atos terroristas (Paris ocupa a 49ª e a 87ª posição, respectivamente, para as duas dimensões).

Sua cidade é inteligente? Confira cinco características primordiais

Apesar de recente, o conceito de smart cities, ou cidades inteligentes, cresce cada vez mais por todo o mundo. Podemos dizer que as cidades inteligentes são aquelas que investem em capital humano e social e utilizam a Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) para melhorar a sua gestão e propiciar aos seus cidadãos uma melhor qualidade de vida. Confira cinco características que são mais exploradas nessas cidades:

Mobilidade

Cidades inteligentes incorporam a tecnologia nos meios de transporte a fim de facilitar a vida dos cidadãos e permitir mais acessibilidade. Com mais conectividade e sensoriamento, o gestor consegue monitorar e controlar o tráfego, avaliar os deslocamentos dos veículos e das pessoas em tempo real e suas tendências, podendo assim melhorar o planejamento e gestão da mobilidade urbana. Além disso, buscar modelos sustentáveis e seguros de mobilidade também fazem parte do processo, como por exemplo o uso de veículos híbridos.

População

O acesso à saúde, segurança e educação de qualidade para os habitantes é algo primordial em smart cities. A participação cidadã engloba diferentes formas de atuação: social, política, cultural, econômica. “O principal objetivo é ter uma governança mais participativa, onde o gestor municipal e cidadão caminhem juntos e se unam em prol de uma cidade melhor. Outro ponto fundamental é a consciência coletiva das pessoas, é preciso pensar na coletividade e não apenas em si próprio”, comenta Amilto Francisquevis, assessor de mercado do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI), que presta serviços para Curitiba, considerada a segunda cidade mais inteligente do Brasil, pelo Ranking Connected Smart Cities de 2017.

Governo

Boa comunicação e transparência são os principais pontos quando o assunto é Governo. Em cidades inteligentes é imprescindível que os gestores estabeleçam uma relação direta com o população para que as demandas e expectativas dos cidadãos sejam de conhecimento do gestor público e assim possibilitem o seu atendimento de maneira efetiva. “Algumas soluções tecnológicas permitem ao gestor detectar problemas previamente, direcionar demandas aos órgãos responsáveis e, aliado à participação cidadã, é possível obter avaliações e percepções sobre a qualidade dos serviços públicos prestados”, acrescenta Francisquevis.

Sustentabilidade

Cidades inteligentes são também cidades sustentáveis. Implementar medidas para um melhor aproveitamento dos recursos naturais, diminuir a poluição e contaminação fazem parte do processo de transformação da cidade. O papel mais importante aqui é a conscientização das pessoas, como a separação do lixo reciclável, a ligação de esgotos clandestinos em rios, o descarte indevido de objetos domésticos etc. Além disso, incentivar a população a utilizar meios de transportes alternativos ou mais sustentáveis, como as bicicletas e carros elétricos, também faz a diferença.

Qualidade de vida

Contribuir com a melhora da qualidade de vida dos habitantes é uma das principais características das cidades inteligentes. Mais humanas e sustentáveis, com soluções implantadas, essas cidades permitem que haja uma convivência mais harmoniosa e de satisfação para as pessoas que vivem nelas. “Nem sempre precisamos de algo revolucionário para mudar a vida das pessoas. Tecnologias já existentes e simples são capazes de transformar todo o cenário”, comenta Francisquevis.

De acordo com o assessor de mercado do ICI, o processo de transformação das cidades deve ser contínuo, toda ação feita contribui com o crescimento e é a base para o próximo passo. “Cada cidade é única e o desafio é pensar em todos os fatores que podem ser trabalhados para torná-la cada vez mais inteligente. Uma mudança realizada, mesmo que pequena, já é um grande avanço”, explica Francisquevis.

A tecnologia, a Internet e a perda de privacidade

Hoje, somos todos famosos (ou quase). Ao menos, essa é a percepção que temos ao procurarmos nossa trilha digital na Internet: perfis em redes sociais, participação em seleções, comentários em portais de notícias e até divulgação em sites próprios “confirmam” nossa existência. Soma-se a esse processo o acompanhamento de empresas como Google e Facebook, que conseguem saber onde estivemos, com quem interagimos, os assuntos que procuramos e até as fotos nas quais aparecemos. Todo esse movimento tem transformado a vida privada em um espetáculo público, com exposição constante e rastreamento de todas as nossas experiências.

Se a tecnologia é uma facilitadora para guardar e organizar dados, permitindo que tenhamos acesso a documentos e fatos que seriam encontrados há alguns anos apenas em procuras extensas em bibliotecas, ela também pode ser um perigo se não for bem administrada. E, em grande parte das vezes, a culpa é do próprio usuário. Muito do que expomos sobre nosso cotidiano é por escolha. Seja pelas publicações que disponibilizam dados que podem comprometer a segurança (quantas vezes já vimos casos nos quais os sequestradores arquitetaram seus planos com informações extraídas de mídias sociais?), seja por aceitarmos as condições propostas em dezenas de linhas – que geralmente não lemos – para ter acesso a diversos serviços gratuitos ou pagos.

O famoso caso da Cambridge Analytica, que utilizou de maneira indevida os dados de mais de 87 milhões de usuários do Facebook, repercutiu nos últimos meses pela dimensão do impacto. Devido a brechas da maior plataforma social do mundo, a Cambridge teve acesso a informações de pessoas além das que consentiram com os termos do “thisisyourdigitallife”. Tudo isso foi supostamente utilizado em campanhas eleitorais nos Estados Unidos e podem ter influenciado na vitória de Donald Trump, na corrida presidencial de 2016. Desde então, o Facebook tem buscado formas de prover mais segurança, mas a própria mídia social fatura ao utilizar as informações que compartilhamos com ela – não seria um paradoxo?

Nesse cenário, é interessante apontar o que poucos levam em consideração. Ao menos, observamos a preocupação de aplicações para computadores e smartphones sobre medidas de segurança de dados. Mas o que acontece quando incluímos a Internet das Coisas nessa equação? Qual a quantidade de dados estamos fornecendo sem sermos questionados se queremos mesmo compartilhá-los? E o mais importante: o que tem sido feito com essas informações? Seria mesmo a perda de privacidade um fator que pode influenciar na nossa perda de liberdade?

Não podemos apenas demonizar esse processo, até porque também nos beneficiamos da “perda de privacidade” – isso quando ela é compartilhada de forma controlada e utilizada com inteligência. Por exemplo, receber sugestões de filmes ou notícias conforme seus gostos pode ser um facilitador (além de que, ao saber nossas preferências, as empresas podem se adequar para atender melhor às necessidades). Somos tratados como indivíduos e tudo passa a ser personalizado. Entretanto, até que ponto não prejudica quando o que deveria ser privado se torna público?

De toda a exposição que temos nos dias atuais tem algo que realmente é uma perda. Não existe mais o direito ao esquecimento. O passado acaba sempre voltando, com tantas informações disponíveis, muitas das quais passamos a perder o controle. O conteúdo disponibilizado na Internet reverbera: é compartilhado, copiado, roubado. Estar conectado tem um preço. A vida online influencia diretamente a offline. O que deve prevalecer nesses casos é o bom senso e o maior desafio está em encontrar o ponto de equilíbrio entre a exposição e a privacidade.

* Fernando Matesco é diretor técnico do Instituto das Cidades Inteligente (ICI)

 

Cidades Inteligentes: economia compartilhada utilizando a tecnologia blockchain

Muitas cidades se definem inteligentes quando identificam características de conectividade, inclusão digital, força de trabalho e conhecimento. Por meio de aplicações inovadoras e de tecnologias, elas apoiam a partilha comunitária envolvendo elementos cumulativos, como governança, mobilidade, uso inteligente de recursos naturais, cidadãos e economia. Devido à dinâmica de restrição de espaços e alta densidade populacional, as cidades são naturalmente concebidas para compartilhar economias com consumo. Porém, se suas melhorias são setoriais ou limitadas, elas não podem ser chamadas de inteligentes.

A transformação de cidades em inteligentes beneficia o uso de recursos urbanos como espaço, transporte, serviços, alimentos, bens e dinheiro. E a economia compartilhada permite o emprego desses recursos de forma colaborativa, definindo um modelo socioeconômico que permite o uso de ativos subutilizados, num sistema em que a oferta e demanda interagem para uma melhor oferta de produtos e serviços.

Do lado da oferta, os indivíduos podem oferecer coisas como aluguel de curto prazo de seus veículos ociosos ou salas extras em seus apartamentos ou casas. Do lado da demanda, os consumidores podem se beneficiar em alugar bens a um preço menor ou com gastos transacionais mais baixos do que comprar ou alugar por meio de um provedor tradicional. E esse compartilhamento, facilitado pela tecnologia e pela internet, já é uma realidade: Airbnb, Snap-Goods, Uber e RealyRides são exemplos de conexões que desbloqueiam o valor inerente ao compartilhamento de recursos sobressalentes em plataformas e oferecem muitas vantagens para atrair os dois grupos por meio de efeitos de rede.

Por meio da tecnologia, compartilhar economia fornece a base dessas inovações de maneira imediata, contribuindo para que uma cidade se torne inteligente. Com uma infraestrutura tecnológica significativa, a forma como os recursos são compartilhados é transformada, sendo o capital humano destacado nesse cenário, uma vez que a inteligência das cidades leva em consideração, acima de tudo, o bem-estar da sociedade. Assim, os cidadãos podem liderar vidas criativas, embora ainda encontrem uma barreira para a tão esperada revolução: a confiança.

Apesar de uma cidade inteligente ser feita para o cidadão, sua inovação esbarra exatamente nele. Dentre todos os outros fatores humanos, confiar é o mais importante desafio da economia compartilhada, uma vez que se trata de um sistema dependente de outros usuários.

Para atingir com sucesso essa ideia, uma alternativa seria o uso da tecnologia blockchain, pois ser “livre de confiança” é uma característica central dos relacionamentos dos indivíduos na abordagem baseada em blocos. Com a eliminação de intermediários, redução dos custos operacionais e aumento da eficiência de um serviço de compartilhamento, os indivíduos têm autonomia sobre os registros de cada transação realizada, que são inseridos na rede.

Nos serviços de compartilhamento, a confiança não é colocada em um indivíduo, mas sim distribuída em toda a população. O uso das autoridades centrais é substituído por uma comunidade de pares na forma de uma rede peer-to-peer. Sendo assim, ninguém pode tomar ações unilateralmente em nome da comunidade e os serviços de compartilhamento acabam sendo democratizados e livres de confiança. Nessa hipótese, o software pode automatizar grande parte do processo de transação, permitindo que as promessas contratuais sejam aplicadas sem envolvimento humano. Simples. Prático. Seguro. E, assim, cidades realmente inteligentes.

*Débora Morales é mestra em Engenharia de Produção (UFPR) na área de Pesquisa Operacional com ênfase a métodos estatísticos aplicados à engenharia e inovação e tecnologia, especialista em Engenharia de Confiabilidade (UTFPR), graduada em Estatística e em Economia. Atua como Estatística no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

Ciência de dados e o perfil do cientista de dados

Nunca se gerou tanta informação como nos dias atuais – e essa informação é originada a partir de dados. Dados produzidos por sistemas, celulares, sensores, câmeras, dispositivos de segurança, tudo isso em grande volume e velocidade.

Nesse contexto, entra o papel da ciência de dados, trazendo ferramentas, métodos e tecnologias para analisar, visualizar e tomar decisões a partir dos dados. A ciência de dados é um processo, não um evento. É o processo de usar dados para entender o mundo, é a arte de descobrir os insights e tendências que estão escondidos atrás dessas informações.

A ciência de dados em si é uma área interdisciplinar que envolve várias áreas de conhecimento, tais como: estatística, matemática, programação, computação e conhecimento de negócios. Essas áreas corroboram com técnicas e teorias como a modelagem, análise preditiva, mineração e visualização de dados.

A ciência de dados se baseia em três pilares. O primeiro pilar é base, que se vale da matemática e da estatística, utilizando as regras de Machine Learning, necessárias para a criação de modelos preditivos de análise de dados. O segundo pilar refere-se à área de negócio. É daqui que surgem os problemas específicos que necessitam da ciência de dados para serem resolvidos. Marketing, vendas, finanças, saúde, entre outras áreas, são o ponto de partida para os projetos em que os dados serão coletados e analisados com objetivo de responder perguntas formuladas pelas áreas de negócio.

O terceiro pilar é a ciência da computação. Neste caso, estamos falando da programação de computadores, infraestrutura de banco de dados, armazenamento e segurança. Essa área de conhecimento vai oferecer as ferramentas necessárias para análise, além de permitir a automatização do processo. Novas tecnologias de banco de dados, como NoSQL, começam a ganhar cada vez mais espaço no mercado, uma vez que o volume, variedade e velocidade de dadosexige novas formas de armazenamento.

As empresas estão cada vez mais cientes que precisam tomar decisões baseadas em informações, principalmente aquelas que pensam sobre Big Data. Sendo assim, nunca houve um melhor momento para ser um cientista de dados.

Um cientista de dados precisa de alguma familiaridade com plataformas de análise, mas esse ponto dispõe apenas suas habilidades técnicas. Além do conhecimento técnico, há outras características que até podem ser apontadas como mais importantes. O perfil do cientista de dados é ser curioso, extremamente argumentativo e julgador. Curiosidade é absolutamente necessária. Se você não é curioso, não sabe o que fazer com os dados. Julgador porque, se você não tiver noções preconcebidas, não sabe por onde começar. Argumentativo porque, se você pode argumentar, então pode defender um caso ou, pelo menos, começar em algum lugar. Então, aprende com os dados e poderá modificar suas suposições e hipóteses.

E a última coisa que um cientista de dados precisa ter é a capacidade de contar uma história. Uma vez que você tem sua análise e suas tabulações, deve ser capaz de contar uma grande história a partir delas.

Lembre-se: comunicação é um dos requisitos principais de um cientista de dados. Afinal, de nada adianta realizar um excelente trabalho de análise se você não for capaz de mostrá-lo e contar uma história por meio das informações.

*Débora Morales é mestra em Engenharia de Produção (UFPR) na área de Pesquisa Operacional com ênfase a métodos estatísticos aplicados à engenharia e inovação e tecnologia, especialista em Engenharia de Confiabilidade (UTFPR), graduada em Estatística e em Economia. Atua como Estatística no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).