Tecnologia no comportamento estudantil

Por Antonio Marcos Jacito

Há muitos estudos relacionados a descobrir como a mente humana funciona. Há também muitas pesquisas, descobertas e incertezas. E isso não é novidade. Desde criança o aprendizado de nossa mente é ininterrupto, sempre evoluindo, conhecendo e descobrindo. Não somente recebendo e armazenando informações do mundo que as envolve, mas também transmitindo sinais que, na maioria das vezes, são muito difíceis ou até mesmo imperceptíveis de serem decifrados.

Será que alguns desses sinais poderiam indicar comportamentos futuros que venham a influenciar na vida das crianças? Será que a tecnologia, mais especificamente, a inteligência artificial, poderia auxiliar na descoberta e interpretação de padrões de comportamento das crianças que indiquem alguma medida preventiva a ser adotada? Padrões de comportamento poderiam indicar algum tipo de distúrbio ou até mesmo síndromes que ainda não estão perceptíveis aos especialistas? O cruzamento de informações relacionadas a pessoas poderia colaborar com essa descoberta?

Se considerarmos que as crianças passam um bom tempo de suas vidas em sala de aula, muitos sinais são enviados no dia a dia, que, se forem coletados e armazenados, poderão compor uma base de conhecimento que poderá ser utilizada para mapeamento desse seu comportamento. Alguns desses já foram mapeados anteriormente, porém algumas combinações de dados, ainda não mapeados ou descobertos por especialistas, poderiam indicar a probabilidade de a criança vir a desenvolver algo que no futuro influencie sua vida negativamente. É nesse segmento que o uso da tecnologia, por meio da inteligência artificial, poderia apoiar os especialistas para diagnosticar algo que não é visível a “olho nu”, ou que a criança não dê sinais de possuir ainda.

O professor na sala de aula, notando algum tipo de comportamento fora do padrão de determinada criança, se comparada às demais, poderia coletar informações a respeito para alimentar uma base de dados. Somente a coleta desses dados na escola pode não ser suficiente, por isso o papel e participação dos pais é de fundamental importância, pois em casa a criança também pode vir a demonstrar algum comportamento anormal, então a parceria entre a família da criança e a escola teria que ser estreita.

Com as informações coletadas na escola e na casa da criança, o uso de algoritmos de inteligência artificial poderia ser aplicado para processá-las e realizar o cruzamento nos dados, de forma que comportamentos anteriores já mapeados e confirmados e outros que não foram ainda poderiam indicar a probabilidade da criança também desenvolvê-la.

De posse dessas informações, um especialista poderia ter evidências para um melhor diagnóstico de possíveis distúrbios que a criança poderá desenvolver e que não tenha demonstrado sinais ainda, indicando algum apoio profissional para melhorar sua qualidade de vida e de sua família e aprofundando em exames e monitoramentos a respeito da criança.

A inteligência das coisas é algo que chegou para ficar e, assim como suas aplicações, é de extrema importância para a evolução natural da humanidade. A inteligência em interpretação comportamental aplicada a crianças para identificação de distúrbios que talvez possam ser identificados ainda no início ou mesmo sem indícios que a criança demonstre poderiam oferecer uma qualidade de vida que talvez não venha a ter.

O aprendizado de máquina hoje é uma realidade, mas não para substituir um especialista. O ideal seria unir esforços para evoluirmos e melhorarmos a qualidade de vida que é o princípio básico que possuímos. Se houver apenas um caso proativo que venha a ajudar uma criança, já terá valido a pena essa união.

Nem todas as famílias possuem facilidade ou condições de acesso a acompanhamento médico especialista e muitas vezes seus filhos demonstram sinais que não são interpretados em seu convívio familiar. A disponibilização da tecnologia para uso da população menos privilegiada poderia amenizar grande parte dos problemas das crianças e suas famílias e, onde poderia ser melhor utilizada senão em escolas públicas?

O apoio da tecnologia para descoberta de algo que não tenha sido conhecido tem que ser valorizado e explorado, que não fique somente em laboratórios ou em setores específicos e privilegiados, mas sim disponível para toda população que não tem condição de acesso a esse tipo de ação e são as que mais padecem desse segmento. O quanto estamos longe dessa realidade? Particularmente, acredito que mais próximos de alcançá-la do que do ponto de partida.

Antonio Marcos Jacinto é coordenador de projetos no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI). Formado em tecnologia em processamento de dados, com pós-graduação em banco de dados. Está na área de informática há mais de 20 anos, sendo também instrutor oficial Oracle Database.

O universo dos dados

Por Débora Morales

Muito se escuta falar de Big Data e Small Data, mas o que isso realmente significa ainda confunde muita gente. A definição é simples: trata-se de uma análise completa de dados. Décadas atrás, os dados não eram classificados como Small ou Big por fatores como custo, recursos e dificuldades de geração, processamento, análise e armazenamento.

Os dados eram produzidos de forma rigorosamente controlada, utilizando técnicas de amostragem que limitavam seu espaço, temporalidade e tamanho. No entanto, nos últimos anos, os avanços tecnológicos levaram à produção do que se denominou Big Data, que têm características muito diferentes dos pequenos conjuntos de dados.

Grande volume, alta velocidade, que se assemelha ao tempo real, variedade de tempo e espaço, e grande alcance, que capta toda a população dentro de um determinado domínio são algumas das especificações do Big Data. O desenvolvimento simultâneo de várias tecnologias, infraestruturas, técnicas e processos favoreceu esse novo passo.

Rapidamente, o Big Data incorporou softwares de todos os tipos de objetos, desde máquina a sistemas que se alteram de “mudos” para “inteligentes”. Incorporou, também, práticas e espaços sociais e empresariais, por meio de um conjunto diversificado de tecnologias da informação e da comunicação, em especial a internet fixa e móvel. O desenvolvimento da computação ubíqua e a capacidade de acesso a redes em muitos ambientes e em movimento incluiu a criação de novas plataformas de mídias sociais.

Em contraste, o Small Data pode ser limitado em volume e velocidade, mas tem um longo histórico de desenvolvimento em toda ciência, agências estatais, organizações não-governamentais e empresas, com metodologias e modos de análise estabelecidos em um registro de produzir respostas significativas. Estudos de Small Data podem ser mais adaptados para responder a perguntas específicas e explorar em detalhes as formas variadas em que as pessoas interagem.

Estudos de Small Data procuram a mina de ouro, trabalhando uma mineração estreita, enquanto estudos de Big Data procuram extrair pepitas por meio da mineração a céu aberto, recolhendo e peneirando enormes faixas de dados. Essas duas abordagens de mineração, estreita versus aberta, têm consequências em relação à qualidade dos dados, fidelidade e linhagem.

Devido ao tamanho limitado da amostra de Small Data, a qualidade, objetividade, consistência, veracidade e confiabilidade são de suma importância. Muito trabalho é dedicado a limitar a amostragem e o viés metodológico, bem como assegurar que os dados sejam tão rigorosos e robustos quanto possível, antes de serem analisados ou partilhados.

Em contrapartida, o Big Data não necessita dos mesmos padrões de qualidade, veracidade e linhagem, porque a natureza exaustiva do conjunto de dados elimina os vieses da amostragem e compensa mais do que quaisquer erros ou lacunas.

Dadas as preocupações e limitações de Small Data, estudos continuarão a ser um componente importante no cenário de pesquisas. Tais dados, no entanto, serão cada vez mais pressionados a serem ampliados dentro de infraestruturas de dados digitais, para que sejam preservados para gerações futuras, tornem-se acessíveis para reutilização e combinações com outros dados.

As práticas da vida cotidiana e os locais em que vivemos agora são aumentados, monitorados e regulados por densas aglomerações de infraestrutura e tecnologia de dados. Dentro desse sistema, grande parte da geração de dados é automatizada por meio de câmeras controladas algoritmicamente, sensores, scanners, dispositivos digitais como telefones inteligentes, ou são voluntários pelos usuários de mídias sociais ou iniciativas de crowdsourcing.

Coletivamente, esses sistemas produzem conjuntos de dados maciços, exaustivos, dinâmicos, indexados, inter-relacionados, flexíveis e escaláveis. Apesar de algumas limitações, o Big Data e o Small Data se esforçam para serem cada vez mais abrangentes e proporcionarem uma visão dinâmica e refinada em um novo território que ainda está sendo explorado.

Débora Morales é estatística no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

Desafios na adoção de metodologias ágeis de desenvolvimento de software

Por Felipe Massardo

A adoção de metodologias ágeis de desenvolvimento de software é, habitualmente, uma unanimidade “teórica” em grande parte das empresas de TI, inclusive nas mais tradicionais. Digo “teórica”, pois conceitualmente falando, o Agile é muito bem aceito, é um paradigma de fácil convencimento e de fácil “vendagem” para diretorias e altas gerências. Porém, ocorre que, na prática, a implantação destas metodologias sofre bastante resistência, em todos os níveis das organizações, da cúpula diretiva à equipe técnica. Isto ocorre, pois, como toda mudança, alterar a forma de desenvolver software requer a saída da zona de conforto, trocar o certo pelo (ainda) duvidoso, onde haverá muitas dificuldades, riscos, erros e acertos até que, por fim, os resultados e os ganhos reais comecem a aparecer. Neste processo, o que é certo é que, sem total apoio e comprometimento do patrocinador da mudança (diretoria), nas primeiras dificuldades o processo tende a ser abandonado, voltando-se imediatamente ao modus operandi da empresa.

Mudança cultural

Sair da zona de conforto envolve algo bem mais profundo do que mudanças de atitudes. A grande mudança necessária é na cultura organizacional. Não basta apenas executar diferente, é necessário pensar diferente, não apenas na fase de execução dos projetos, mas desde a concepção das primeiras ideias acerca do produto até a entrega final.

Principais vantagens

Metodologias ágeis trazem uma série de vantagens em relação às tradicionais, porém duas delas merecem destaque especial. A primeira é a entrega constante e regular de software funcional. O cliente não precisa aguardar a finalização do projeto para testá-lo e, principalmente, validá-lo. Isso nos leva para a segunda vantagem, talvez a mais importante: Rápida resposta a mudanças. No mundo real, raramente um cliente possui a perspectiva detalhada do que exatamente ele deseja em seu software. Em geral, o que existe é uma ideia, muitas vezes vaga, da necessidade do cliente. Neste nível de abstração as mudanças são frequentes e perfeitamente normais, porém há uma tendência de que as incertezas sejam reduzidas conforme avança o desenvolvimento e o cliente vislumbra cada vez mais o resultado final.

Uma forma de reduzir as mudanças de escopo, independentemente da metodologia, é a troca de foco. Ao invés de se tentar detalhar a ideia (vaga) que o cliente possui, exigindo “certezas” que o mesmo não pode fornecer, torna-se mais eficiente entender a fundo o problema que se deseja resolver e então propor um software para este propósito.

Ágil X PMBOK

Metodologias ágeis, via de regra, seguem o Manifesto Ágil, que consiste em princípios fundamentais para o desenvolvimento ágil de software. Isto não significa que a adoção de uma metodologia ágil não possa ser combinada com outras metodologias de gerenciamento de projetos, como aquelas que são norteadas pelo PMBOK, por exemplo. Para exemplificar, o princípio ágil “Software funcional mais do que documentação extensa” não prega que toda a documentação deva ser abolida. É muito difícil gerenciar projetos sem um mínimo de documentação, sem aceites nem comprometimentos formais do que fora acordado. Uma ausência total de documentos pode gerar, por exemplo, projetos infinitos, nos quais o cliente sempre demanda novas features e não há como provar que as mesmas nunca fizeram parte do escopo. Em resumo, nada impede que a gestão do projeto como um todo seja feita utilizando-se os processos do PMBOK (apenas os necessários, de forma enxuta) e que a execução seja regida por uma metodologia ágil, complementando uma a outra.

Cliente-Parceiro

Uma grande mudança ao se adotar uma metodologia ágil, principalmente em relação ao desenvolvimento tradicional (em cascata), encontra-se na mudança de comportamento por parte do cliente. Este, que antes participava como um mero expectador do processo, atuando apenas no início (fornecendo a ideia) e no final do projeto (validando a entrega), passa a exercer um papel que vai além do simples cliente, tornando-se um “cliente-parceiro”. Esta necessidade é uma característica inerente do processo de desenvolvimento ágil de software, haja vista que, por exemplo, as entregas parciais só fazem sentido se forem validadas pelo cliente. Talvez ele tenha dificuldades em entender a razão de precisar gastar seu tempo, além do dinheiro, para adquirir um software. Porém, quanto maior seu envolvimento no processo, menor a chance de o produto, depois de pronto, não atender às suas expectativas. É preciso deixar claro que, quanto mais tarde ocorrerem as solicitações de mudanças (depois de pronto, no pior caso), maior será o custo (retrabalho) e o atraso.

O Time Ágil

Apesar de as vantagens do desenvolvimento ágil de software serem evidentes, é preciso ressaltar que o processo só funciona, na prática, se a equipe (time ágil) for adequada para trabalhar desta forma. Em outras palavras, metodologias ágeis não funcionam em todas as equipes. O requisito básico é que a mesma seja autogerenciável. O autogerenciamento é um conceito amplo, mas, de forma simplificada, uma equipe autogerenciável é aquela que possui a capacidade de organizar sua forma de trabalho da maneira mais eficiente possível, de maneira autônoma. É como se a equipe fosse uma microempresa dentro da organização, que possui demandas e entrega resultados, sem a necessidade de alguém lhe dizer como deve organizar seu trabalho, como deve ocorrer a comunicação interna, como devem ser distribuídas as tarefas, enfim, sem nenhuma necessidade de microgerenciamento. Porém, todos os membros da equipe, sem exceção, precisam atender a um perfil específico para fazer parte de uma equipe autogerenciável, caso contrário, desorganização e conflitos surgirão e poderão chegar ao ponto de comprometer a qualidade, os prazos e a equipe como um todo. Este perfil específico demanda, além de conhecimento técnico, alta capacidade de trabalho em equipe, organização e comprometimento. Infelizmente, nem todos possuem este perfil e, portanto, não devem fazer parte dos times ágeis enquanto não o possuírem.

A implantação de uma metodologia ágil é um processo bastante complexo, especialmente em uma empresa tradicional, principalmente por envolver abandono da zona de conforto, muitas vezes sedimentada ao longo de muitos anos, além de profundas mudanças culturais e de processos. Desta forma, todo o processo deve ser realizado de maneira gradativa, sendo o menos taxativo possível, envolvendo muito diálogo e ajustes constantes, especialmente nos primeiros projetos. É preciso ter a humildade de reconhecer que é muito difícil acertar de primeira, além de coragem e perseverança para não desistir diante das primeiras barreiras, especialmente as resistências internas. Infelizmente, nenhuma melhoria significativa é obtida sem investimentos e uma boa dose de risco, porém, os ganhos certamente fazem o esforço valer a pena.

Felipe Massardo é coordenador de projetos no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

 

Não há cidade inteligente sem cidadãos empoderados

Por Amilto Francisquevis

Fornecer uma estrutura completa de comunicação entre cidade e cidadão é um dos desafios enfrentados pelos gestores públicos durante a administração. Deve-se levar em conta que aproximar os habitantes e estimular maior participação e interação nas definições do planejamento, estratégias e políticas públicas traz benefícios para a cidade e, principalmente, para o próprio cidadão.

Essa forma mais colaborativa na construção das cidades, em que os gestores oferecem suporte e o cidadão se envolve mais na governança, permite melhor compreensão dos problemas e das soluções que podem ser exploradas para um resultado mais satisfatório. E ainda fortalece as instituições públicas, a sociedade e a democracia, promovendo o desenvolvimento econômico com maior transparência e coesão social. Pelo menos é o que se espera.

Enquanto esses mecanismos participativos têm grande potencial para serem instrumentalmente valiosos na promoção da eficiência e equidade dos serviços prestados pelos órgãos e entidades públicas, isso nem sempre se realiza na prática.
No contexto nacional, observamos, ainda que de forma institucionalizada,  iniciativas voltadas a orçamento e planos diretores municipais como ouvidorias, audiências e consultas públicas. Mas são poucos os resultados apresentados em projetos de colaboração que contribuam com a construção de uma cidade mais inteligente e resolvam problemas dos centros urbanos, melhorando a gestão dos serviços e aplicação dos recursos públicos.

É aí que entram as TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), que oferecem infraestrutura tecnológica para permitir de fato o acesso e a interação com o cidadão. Para se adequar e atender questões de mobilidade, economia, governança, sustentabilidade e qualidade de vida, as cidades se remodelam, com o intuito de se tornarem mais desenvolvidas.

É preciso apostar cada vez mais em uma cidadania inteligente, em cidadãos empoderados e no poder da coletividade. É preciso entender e reconhecer que os serviços serão aprimorados com a interação e a contribuição dos seus usuários, gerando informações que deverão ser tratadas de forma transparente dentro da gestão pública para tornar os serviços mais eficientes.

Amilto Francisquevis, assessor de Mercado do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI). 

Trabalho em equipe: 5 desafios a superar

Por Dyonata Laitener Ramos

Não são somente as finanças, as estratégias e nem a tecnologia que garantem sozinhas o sucesso de uma empresa. O investimento em recursos para a formação e capacitação de equipes de alto desempenho é o principal meio para gerar maior vantagem competitiva. Ao colocar profissionais com elevada competência e comprometimento trabalhando focados em objetivos estratégicos é possível dominar qualquer empresa, em qualquer mercado, contra quaisquer competidores, em qualquer época.

Embora a teoria sobre equipes de alto desempenho seja facilmente assimilada por gestores e diretores, quando o assunto é tratado na prática as organizações muitas vezes não conseguem obter o resultado desejado, porque, sem perceber, acabam enfrentando cinco situações que afetam o desempenho das equipes. Esses desafios podem ser interpretados erroneamente como questões independentes, mas formam um modelo inter-relacionado em que a fragilidade a apenas uma situação pode ser letal para o sucesso de todo o grupo.


1. Falta de confiança

O medo de se mostrar vulnerável, de sofrer represálias e punições muitas vezes impossibilita a criação de uma base de confiança entre a equipe. Para todos os membros do time deve ficar clara a mensagem de que todos têm boas intenções e de que não há motivos para não ser transparente uns com os outros. Exercícios de histórias pessoais, atividades e reuniões diferenciadas são formas de manter a equipe integrada e mais confortável para realizar suas atividades.

2. Medo de conflitos

A incapacidade de criar confiança afeta e prejudica diretamente a gestão de conflitos e as políticas interpessoais. Algumas vezes, o conflito é visto como um grande problema nas organizações e, quanto maior os níveis hierárquicos, mais tempo se gasta tentando evitar esses debates passionais. Por outro lado, quando membros da equipe não debatem ou contestam abertamente ideias importantes, acabam gerando ataques pessoais. Conflitos produtivos possibilitam melhor solução dos problemas no menor tempo possível.

3. Falta de comprometimento

Se os membros da equipe não expressam suas opiniões por meio de debates abertos, raramente é obtido o comprometimento com as decisões tomadas, mesmo que concordem ou finjam concordar. O consenso remete a buscar a adesão da equipe mesmo quando a unanimidade é impossível e isso é considerado extremamente frágil. O ideal seria identificar que as opiniões foram ouvidas e levadas em consideração e definir que a decisão tomada é a melhor para a situação. Estabelecer prazos, rever os detalhes e criar um plano de contingência prevendo diferentes tipos de cenários combatem alguns problemas criados pela falta de compromisso.

4. Fugir das cobranças

A falta de comprometimento e a discordância sobre as escolhas feitas levam a mais uma situação crítica para as equipes de alto desempenho: a não identificação das responsabilidades de cada um. Como não há compromisso com a decisão tomada, até os membros mais engajados e motivados hesitam em fazer cobranças aos seus colegas em relação ao comportamento e a atitudes contraproducentes para o sucesso da equipe.

Essa relação de microgestão da equipe é primordial e a cobrança é necessária, de maneira respeitosa, demonstrando que os membros têm grandes expectativas em relação ao desempenho dos colegas. Uma boa maneira de reverter esse quadro é definir objetivos e padrões de trabalhos, assim como identificar claramente os papéis e responsabilidades do que cada membro da equipe deve fazer para obter o sucesso. Além de definir é importante exibir essas informações para que todos possam visualizar e para que ninguém consiga ignorá-los facilmente.

5. Falta de atenção aos resultados

A última situação ocorre quando os membros da equipe colocam suas necessidades individuais (ego, sucesso na carreira ou reconhecimento) acima dos objetivos da equipe. Por mais clara que seja a necessidade de que essa situação não ocorra, muitas equipes têm dificuldade em focar nos resultados do grupo. Elas não priorizam os objetivos significativos e querem apenas continuar existindo. Para estes casos é muito importante definir o foco e os resultados mensuráveis e apresentá-los a todos os membros. Com isso, as equipes tendem a trabalhar com mais afinco para alcançar e até mesmo superar todas as expectativas e metas estabelecidas.

Dyonata Laitener Ramos, coordenador de projetos do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

O caminho para cidades inteligentes

Por Fernando Matesco

Entende-se por uma cidade inteligente aquela que utiliza meios para melhorar a qualidade de vida e os serviços urbanos, com foco na população. O cidadão deve estar no centro dos programas de inovação e modernização das cidades, que devem ser atrativas com relação aos aspectos sociais, econômicos e ambientais. O maior motivo das cidades existirem é o cidadão.

A governança participativa é fundamental na construção de uma cidade inteligente. O gestor deve disponibilizar canais de comunicação que incentivam o cidadão a apoiar a evolução das cidades, e, em troca, o cidadão deve aumentar seu envolvimento na governança da cidade.

Diante deste cenário, o uso da tecnologia torna os centros urbanos mais eficientes. As soluções são cada vez mais criativas e inovadoras, favorecem um ambiente mais colaborativo e participativo – em que as pessoas estão on-line todo o tempo, com novos serviços à disposição – e permitem ao poder público atuar de forma preventiva.

Muito se fala referente à construção das cidades inteligentes e qual o melhor caminho a ser percorrido. O mais importante é considerar quais os benefícios esperados, tendo como foco o cidadão. Ao longo do caminho, é imprescindível ter em mente alguns passos importantes.

O primeiro é definir uma equipe multidisciplinar, formada por especialistas de diferentes áreas, dependendo de cada projeto. A partir daí, é preciso traçar uma estratégia de acordo com a principal parte interessada – o cidadão – e realizar um diagnóstico mapeando os maiores problemas, limitações e desafios dos projetos a serem desenvolvidos na cidade.

Com um diagnóstico bem elaborado se torna mais fácil mapear as soluções tecnológicas viáveis para a cidade. Nesse momento, é preciso definir um plano de ações e projetos pilotos que testem, na prática, as soluções mapeadas. A avaliação dos resultados pode ser feita por meio de um PDCA (Plan – Do – Check – Act) em todos os passos do processo.

Os resultados positivos em cada etapa serão, com certeza, as motivações para as futuras ações. O objetivo principal é criar condições de sustentabilidade, melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, a governança e a gestão das cidades, garantindo o atendimento das necessidades das gerações atuais e futuras.

Uma cidade inteligente está apta a antecipar as necessidades futuras. Consegue agir prontamente ou até mesmo prever crises. Além disso, as ações passam a ser coordenadas e integradas, com melhor aproveitamento dos recursos e investimentos. E assim a qualidade dos serviços oferecidos à população melhora e a cidade passa a ser mais eficiente.

Fernando Matesco, diretor técnico do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI). 

 

A metodologia XP e seus valores

Por Débora Morales

O uso de metodologias para estruturar o desenvolvimento de programas e garantir a gestão, qualidade e funcionalidade de softwares e sistemas tem se tornado cada vez mais comum. Em um universo com inúmeras possibilidades, inovações e ferramentas, está o Extreme Programming, ou XP. Desenvolvedor ágil e econômico, o XP é indicado, principalmente, para empresas de pequeno e médio porte que modificam constantemente seus projetos.

A metodologia garante, simultaneamente, redução do risco do projeto, melhora na resposta às mudanças, melhora na produtividade durante toda a vida do sistema e acrescenta diversão à construção de software em times. O XP propõe a ideia de que os elementos de engenharia de software tradicionais sejam levados para níveis “extremos”, atingindo um grau de excelência muito maior na execução. Além disso, para melhorar a produtividade e introduzir pontos de verificação em que podem ser adotados novos requisitos dos clientes, o XP propõe entregas frequentes em ciclos curtos de desenvolvimento.

Atrelados ao XP estão cinco valores da metodologia (comunicação, simplicidade, feedback, coragem e respeito) que servem como critérios que norteiam as pessoas envolvidas no desenvolvimento de software. A comunicação foca em construir um entendimento pessoa a pessoa do problema, com o uso mínimo de documentação formal e com o uso máximo de interação “cara a cara” entre os envolvidos no projeto.

A simplicidade sugere que cada membro da equipe adote a solução mais fácil que possa funcionar. O objetivo é fazer aquilo que é mais simples hoje e criar um ambiente em que o custo de mudanças no futuro seja baixo, evitando a construção antecipada de funcionalidades, como é feita em muitas metodologias tradicionais. E aí a importância de se realizar, em paralelo, os feedbacks, que possibilitam que as pessoas aprendam cada vez mais sobre o sistema, corrijam erros e melhorem o sistema.

A coragem está ligada diretamente à aplicação eficaz do XP. Atitudes mais ousadas podem trazer melhorias ao projeto e não devem ser evitadas simplesmente pelo medo de tentá-las. Alterar código já escrito e que está funcionando, jogar código fora e reescrever tudo de novo, permitir código compartilhado por todos ou simplesmente dizer não, são alguns exemplos. E, por fim, respeito, valor que sustenta todas as ideias e etapas do desenvolvimento de software. Uma equipe engajada que respeita as opiniões e decisões de todos os membros consegue alcançar os melhores resultados.

Débora Morales atua como Estatística no Instituto das Cidades Inteligentes.

Organizando processos com roadmaps

Por Débora Morales

Para não correr o risco de perder as ideias em meio à desordem do processo de criação, o ideal é criar um roteiro para que todas as fases sejam concluídas com sucesso. Entre as ferramentas existentes estão os roadmaps. Os chamados mapas tecnológicos garantem a otimização de tempo, o aumento da produtividade e a segurança das informações – aspectos que garantem mais eficiência e bons resultados nos negócios.

O roadmap deve ser elaborado a partir da análise do negócio, sendo definido o horizonte temporal e o seu nível de detalhamento. A meta é desenvolver produtos altamente competitivos no mercado. Empresas de diversos segmentos utilizam os roadmaps, que funcionam como bússolas que orientam, alinham e fornecem suporte necessário para a elaboração do planejamento estratégico e plano de negócios. Para gestores que desejam explorar o emprego da tecnologia, a ferramenta identifica e seleciona alternativas que satisfaçam o conjunto de requisitos necessários para a melhoria dos produtos.

A utilização da ferramenta varia de acordo com a necessidade das empresas e pode se executada em etapas. Na primeira etapa são eleitos, no planejamento estratégico, quais produtos do portfólio são os mais indicados para o investimento de melhorias e em que ordem isso deve ocorrer.

Após a escolha, deve-se fazer uma análise de mercado detalhada do produto selecionado, buscando identificar outros produtos semelhantes para realizar uma comparação entre todas as funcionalidades existentes. A pesquisa de mercado detalhada costuma ser muito reveladora, pois, além de apontar pontos fracos e fortes do produto em questão, pode também determinar a viabilidade de dar continuidade ao ciclo de vida desse mesmo produto. Em alguns casos, o estudo mostra que continuar com aquela linha de produto do portfólio não é mais viável. Em outros, que não existe viabilidade financeira para investir na evolução dele.

A partir de uma análise de mercado bem-sucedida, a última etapa é elencar o que deve ser melhorado no produto. Nesse momento, é indicado criar um cronograma de desenvolvimento com metodologias ágeis, de fácil aplicação. E assim, o “ciclo de vida” de um produto flui por meio do roadmap, que, se mantido vivo, gera uma visão melhor de resultados para a empresa.

Débora Morales é estatística no Instituto das Cidades Inteligentes.

Automatização de processos de RH

Por Ursula Lisboa de Miranda Tenereli

Segundo pesquisa realizada pela Gartner, em 2017 o mercado de tecnologia deve crescer até 2,5%, comparado a 2016. Todos esses novos recursos podem ser adaptados em diversos segmentos, de acordo com as necessidades das empresas. Mais do que inovação, as empresas enxergam nesses novos recursos ferramentas que geram grandes resultados e, consequentemente, facilitam a administração.

Na administração pública, por exemplo, alguns sistemas são desenvolvidos exclusivamente para a área de Recursos Humanos, o que possibilita mais agilidade no atendimento aos servidores e maior rendimento não só para os profissionais de RH, mas para a instituição como um todo.

Cada processo engloba uma gama enorme de decretos, leis, regras e peculiaridades e, a cada nova gestão, vários desses processos estão sujeitos a sofrerem alterações e reformulações, sem que deixem de ser sistematicamente seguidos. Muitas vezes, essas mudanças, sem essa automatização, poderiam até inviabilizar o funcionamento do órgão público. Com processos tão complexos, é praticamente inimaginável controlá-los e executá-los sem o apoio de um sistema informatizado.

Além dos cálculos de folha de pagamento, e do controle de férias, processos como o remanejamento dos profissionais das áreas da saúde e educação, progressão de servidores levariam dias ou até semanas para serem realizados manualmente. A automatização permite ao profissional de RH realizar todos esses trâmites em poucos minutos.

As prefeituras de Vitória (ES), Teresina (PI) e Curitiba (PR) utilizam soluções desenvolvidas pelo Instituto das Cidades Inteligentes (ICI) para obter maior controle de processos e redução de custos para as instituições.

A automatização permite também total integração entre os diversos serviços da gestão de recursos humanos, órgãos, sistemas utilizados na administração municipal ou convênios externos. Por meio de relatórios, consultas, estatísticas e business intelligence, é possível fornecer dados precisos e seguros aos gestores e a órgãos como Tribunal de Contas, Ministério do Trabalho, Receita Federal. Tudo de forma ágil.

Seja na área de Recursos Humanos ou em qualquer outra, nota-se que a tecnologia está se tornando essencial para suprir as carências das empresas e, principalmente, da administração pública. Traçando um planejamento que mostre qual a melhor ferramenta a ser utilizada, a gestão administrativa e financeira se torna muito mais simples, fácil e objetiva.

* Ursula Lisboa de Miranda Tenereli , coordenadora de Sistemas de Recursos Humanos do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

A tecnologia na saúde pública

Por Francielle Regeane Vieira da Silva*

A garantia dos serviços prestados pela saúde pública está entre os maiores desafios enfrentados pelos municípios brasileiros. Muito se investe, mas pouca coisa é perceptível ao cidadão. De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 40% de todos os gastos com saúde são desperdiçados por ineficiência. O Brasil gasta 9,3% do PIB na área – ou seja, cerca de R$ 410 bilhões investidos. Se considerarmos a estimativa, R$ 164 bilhões ao ano podem estar sendo desperdiçados por pura falta de controle e gestão.

É aí que a tecnologia se mostra fundamental para a melhoria da saúde pública. Além de facilitar a administração das atividades, os novos sistemas otimizam o tempo, tanto de gestores e profissionais quanto do cidadão, e permitem maior controle de gastos.

Mas isso ainda está longe de ser realidade em muitos municípios do País. O Ministério da Saúde divulgou em outubro de 2016 que 76% das Unidades Básicas de Saúde (UBS) ainda realizam o controle do histórico do paciente em papel. Das 41.688 unidades em funcionamento, em 5.506 municípios brasileiros, apenas 10.134 possuem prontuários eletrônicos.

Quer um exemplo prático da importância do prontuário eletrônico? Num momento em que a febre amarela volta a assustar é possível, por meio dos registros coletados nos prontuários, fazer a correlação das regiões onde os casos aparecem com as condições de moradia e informações sociais dos pacientes, como frequência da coleta de lixo, tratamento do esgoto, hábitos de vida, escolaridade, faixa de renda. E assim a área epidemiológica pode atuar rapidamente e com mais eficiência.

Outro gargalo da saúde pública que pode ser tratado de maneira mais inteligente com a tecnologia é a espera por consultas e internações. O Instituto das Cidades Inteligentes (ICI) já oferece uma solução integrada que organiza e controla eletronicamente as filas de atendimento e a ocupação dos leitos. O gestor consegue acompanhar em tempo real, por meio de dashboards, as filas nas unidades de saúde e na emergência, sendo possível analisar o tempo de espera dessas solicitações e realizar a tomada de ação imediata para aperfeiçoar o processo de atendimento.

É a tecnologia possibilitando à alta administração uma visão real do dia a dia da saúde pública no município. Investimentos mais efetivos, diminuição do desperdício e informações disponíveis a qualquer tempo, que trazem impactos diretos para um melhor atendimento à população.

*Francielle Regeane Vieira da Silva é coordenadora de projetos do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).